A artista argentina Ides Kihlen, uma das figuras mais longevas e discretas da arte latino-americana, morreu aos 108 anos. Conhecida por sua produção abstrata intensa e contínua, Kihlen construiu uma trajetória singular marcada por décadas de trabalho silencioso, reconhecimento tardio e uma vitalidade criativa que se manteve até os últimos anos de vida.
Nascida em 1917, em Buenos Aires, Kihlen começou a pintar ainda jovem, mas sua carreira se desenvolveu longe dos grandes circuitos institucionais. Durante boa parte do século XX, produziu de forma independente, explorando composições geométricas, cores vibrantes e estruturas abstratas que dialogavam com movimentos modernos, mas sem se prender a uma escola específica. Seu reconhecimento mais amplo só viria décadas depois, quando sua obra passou a ser redescoberta por curadores e colecionadores.

Ides Kihlen, “Black Series” (1998) (cortesia do Museu Nacional de Bellas Artes, Buenos Aires)
Mesmo após completar 100 anos, a artista continuou trabalhando regularmente em seu ateliê, criando pinturas com ritmo e experimentação surpreendentes. Essa longevidade produtiva transformou Kihlen em uma figura quase mítica no cenário artístico argentino, frequentemente citada como exemplo de dedicação contínua e independência estética.
Nos últimos anos, suas obras foram exibidas em museus e galerias internacionais, consolidando seu lugar na história da abstração latino-americana. A morte de Ides Kihlen encerra uma trajetória de mais de nove décadas de produção artística, marcada por persistência, liberdade formal e uma relação ininterrupta com a pintura.


