Obra do artista italiano Edoardo Ettorre celebra 30 anos do Arsenal da Esperança e será vista por cerca de 400 mil passageiros por dia
A cidade de São Paulo ganhou uma nova intervenção de grande escala com a inauguração do mural Acolhida, do artista italiano Edoardo Ettorre, instalado na estação ferroviária da Maria-Fumaça, na Mooca. Com 26 metros de largura por 8 metros de altura, a obra integra as comemorações dos 30 anos do Arsenal da Esperança, reconhecido como o maior centro de acolhida da capital. Posicionada à beira dos trilhos da CPTM, a intervenção poderá ser vista diariamente por cerca de 400 mil passageiros da Linha 10-Turquesa.
Instalada em um muro na plataforma da estação, atrás do Arsenal, a pintura também é visível a partir do Museu da Imigração, reforçando a carga simbólica do local, historicamente ligado à chegada de imigrantes à cidade. A obra foi produzida em sete dias com a colaboração de acolhidos da instituição, que participaram como voluntários durante o processo. “Acolhida é um convite para que milhares de pessoas conheçam o trabalho de apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade”, afirmou o diretor da instituição, Simone Bernardi, durante a inauguração.
Com curadoria de Giulia Lavinia Lupo, o projeto foi concebido como um gesto público de empatia e responsabilidade coletiva. A intervenção surge de uma articulação iniciada em 2023 e ganha agora visibilidade em um ponto estratégico da cidade. Segundo a curadora, a obra busca convidar o público a refletir sobre solidariedade e participação social, ampliando o alcance do trabalho realizado pela instituição.
Parceiro da iniciativa, o diretor do Instituto Italiano de Cultura de São Paulo, Lillo Guarneri, destacou a dimensão simbólica do mural. Além de marcar os 30 anos do Arsenal da Esperança — que atende cerca de 1.200 homens por dia e já acolheu aproximadamente 80 mil pessoas —, a obra transforma o cotidiano dos trilhos em um espaço de arte e memória, conectando história da imigração, ação social e intervenção urbana contemporânea.


