Artista, arquiteto e curador integrou o Grupo Frente e dedicou décadas à preservação da obra de Hélio Oiticica
César Oiticica, artista, arquiteto e curador ligado a um dos momentos decisivos da arte construtiva brasileira, morreu aos 87 anos no Rio de Janeiro. A notícia foi comunicada pelo filho, César Oiticica Filho, e pelo Projeto Hélio Oiticica, instituição que dirigia. A causa da morte não foi divulgada. A despedida acontece nesta quinta-feira (1º), das 14h às 17h, no Crematório Memorial do Carmo, no Rio.
Nascido no Rio de Janeiro em 1939, Oiticica começou a estudar pintura aos 15 anos, no Curso Livre de Pintura de Ivan Serpa, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Em 1957, chegou a substituir temporariamente o professor. Entre 1954 e 1956, integrou o Grupo Frente ao lado de Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape e Abraham Palatnik. O grupo foi fundamental para a consolidação da abstração geométrica no país, e Oiticica também participou da 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta, realizada no Museu de Arte Moderna de São Paulo.

© César Oiticica.
Sua produção daquele período explorava formas geométricas planas e estruturas abstratas organizadas para produzir relações de movimento e tensão no espaço da tela. A arte, porém, não permaneceu como seu único campo de atuação. Oiticica construiu também uma trajetória como arquiteto e, durante o período em que viveu em Manaus, afastou-se progressivamente da produção artística para se dedicar à profissão.
A partir dos anos 1980, seu trabalho ganhou outra dimensão dentro da própria história da arte brasileira. Por quase quatro décadas, Oiticica esteve à frente da preservação, organização e divulgação da obra de seu irmão, Hélio Oiticica, atuando como diretor do Projeto Hélio Oiticica e como curador de exposições. Entre os projetos que conduziu estão José Oiticica Filho: Fotografia e Invenção, apresentada em 2007, e Hélio Oiticica: Penetráveis, realizada em 2008, ambas no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro.

César Oiticica , Sem título, 1954-1955 . Foto: Divulgação.
Nos últimos anos, César Oiticica voltou a concentrar-se na própria produção. Obras suas foram apresentadas em 2012 na exposição Ivan Serpa: Pioneering Abstraction in Brazil, na galeria Dickinson Roundell Inc., em Nova York, e, mais tarde, retomou de maneira mais sistemática a atividade artística. Em 2024, o Paço Imperial apresentou Frente a Frente, individual que reuniu pinturas abstratas e esculturas desenvolvidas a partir de formas geométricas.
Em nota divulgada após sua morte, o Projeto Hélio Oiticica, a Parada 7 e o Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica destacaram a amplitude de sua trajetória e sua contribuição para a preservação da memória artística da família. “Ao longo de sua trajetória, César dedicou-se à produção artística, à arquitetura e, por décadas, à preservação e divulgação da obra de seu irmão, Hélio Oiticica”, afirma o comunicado. A cerimônia de despedida será realizada na Capela 6 do Crematório Memorial do Carmo.


