Yusuf Ali Osman afirma que não conseguiu acessar a exposição de forma autônoma e pede mudanças nas políticas de acessibilidade do museu
A exposição da Tapeçaria de Bayeux no British Museum, em Londres, tornou-se alvo de uma disputa judicial envolvendo acessibilidade. Yusuf Ali Osman, homem com cegueira registrada e sem visão em ambos os olhos, entrou com uma ação contra a instituição por considerar que a mostra não oferecia uma forma adequada de acesso ao conteúdo para visitantes cegos. Representado pelo escritório Leigh Day, Osman enviou ao museu uma carta alegando descumprimento do Equality Act, legislação britânica que estabelece obrigações relacionadas à igualdade e à acessibilidade.
Antes de visitar a exposição, Osman entrou em contato com o British Museum para saber se haveria audioguias disponíveis. Segundo o escritório que o representa, foi informado de que não. A instituição estabeleceu sessões de visita de 40 minutos e restringiu algumas modalidades de acesso em razão da grande procura pela exposição. Fotografias também foram proibidas, uma medida adotada pelo museu para facilitar a circulação do público e reduzir as filas.
O British Museum afirma ter adotado outras medidas de acessibilidade. Em comunicado, um porta-voz declarou que a instituição trabalhou com consultores especializados para desenvolver a experiência da exposição. Entre as iniciativas estão um mapa sensorial para ajudar visitantes a se prepararem para a visita e tours específicos ao longo da temporada, incluindo uma visita presencial com audiodescrição. O museu também informou que estuda disponibilizar uma visita audiodescrita separada no audioguia de seu aplicativo.
A diferença entre as medidas anunciadas e a experiência relatada por Osman está no centro da disputa. Para o visitante, a existência de uma visita guiada presencial em determinados horários não substitui necessariamente uma ferramenta que permita ao público cego explorar a exposição de maneira mais independente, especialmente diante das restrições impostas pelo elevado fluxo de visitantes.
“Quero poder visitar a Tapeçaria de Bayeux e vivenciá-la por mim mesmo”, afirmou Osman. Ele reconhece que existem restrições importantes relacionadas à forma como a tapeçaria é exibida, mas considera decepcionante que visitantes cegos não tenham, segundo seu relato, uma maneira audiodescrita de conhecer a obra. Além de indenização, a ação pede mudanças nas políticas do British Museum e treinamento de conscientização sobre deficiência para funcionários.
A disputa ocorre durante uma das exposições mais concorridas do museu, que precisou organizar horários de 40 minutos para controlar o acesso à tapeçaria. O British Museum, por sua vez, afirma estar trabalhando para ampliar os recursos disponíveis e explorar novas soluções de audiodescrição por meio de seu aplicativo.


