Itinerância reúne artistas como Wolfgang Tillmans, Ming Smith e Gê Viana em mostra que debate deslocamento, memória e pertencimento
A Fundação Bienal de São Paulo anunciou a chegada da itinerância da 36ª Bienal de São Paulo a Fortaleza, desta vez em uma parceria inédita com a Pinacoteca do Ceará. A mostra fica em cartaz entre 23 de maio e 16 de agosto de 2026 e marca a terceira vez que a capital cearense recebe o programa itinerante da Bienal, consolidando a presença do projeto no Nordeste brasileiro.
Com curadoria de Thiago de Paula Souza, cocurador da 36ª edição, a exposição reúne obras de artistas como Wolfgang Tillmans, Ming Smith, Korakrit Arunanondchai, Gê Viana, Antonio Társis, Berenice Olmedo e Théodore Diouf, entre outros nomes que atravessam diferentes linguagens e geografias contemporâneas.
A seleção apresentada em Fortaleza articula fotografias, vídeos, instalações, pinturas e obras sonoras que investigam temas como migração, memória coletiva, transformações urbanas e disputas territoriais. Segundo Thiago de Paula Souza, a proposta da itinerância busca dialogar diretamente com questões que atravessam a realidade nordestina, especialmente em relação aos debates sobre pertencimento, circulação e construção de identidades em contextos marcados por intensas mudanças sociais e urbanas.
Realizado de forma contínua desde 2011, o programa de itinerâncias da Bienal tornou-se uma das principais estratégias de expansão institucional da Fundação Bienal de São Paulo, permitindo que obras e discussões originalmente apresentadas no Pavilhão Ciccillo Matarazzo sejam reconfiguradas em novos contextos culturais pelo país. A parceria com a Pinacoteca do Ceará amplia essa rede de instituições e reforça a aproximação entre a Bienal e os circuitos culturais do Nordeste.
Para Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo, o retorno da Bienal a Fortaleza possui também um significado afetivo e simbólico. Cearense, ela destacou a importância da estreia na Pinacoteca do Ceará, instituição inaugurada recentemente e que vem consolidando rapidamente sua atuação no cenário artístico nacional.
Além da exposição, a itinerância contará com um programa educativo voltado à formação de públicos e profissionais locais, incluindo visitas mediadas, encontros pedagógicos, laboratórios para professores e atividades para estudantes. Segundo Rian Fontenele, diretor-geral e artístico da Pinacoteca do Ceará, a chegada da Bienal reforça o papel da instituição como espaço de debate crítico e circulação de arte contemporânea no país.


