Leilão reúne obras históricas de Brancusi, Pollock e Giacometti em uma das vendas mais disputadas da temporada internacional
A semana de leilões em Nova York ganhou contornos de espetáculo com a venda promovida pela Christie’s, que reuniu colecionadores internacionais, consultores e celebridades em uma noite marcada por cifras milionárias e forte disputa por obras modernistas e pós-guerra. Entre cafés exclusivos organizados por Nicole Kidman e salas lotadas de compradores internacionais, o grande destaque foi uma rara escultura de Constantin Brancusi.
A obra La Jeune Fille Sophistiquée (Portrait de Nancy Cunard) atingiu aproximadamente US$ 71 milhões com taxas incluídas, consolidando-se como o lote mais valioso da noite e reafirmando Brancusi como um dos nomes mais disputados do modernismo histórico. Produzida entre o final dos anos 1920 e o início dos anos 1930, a escultura apareceu no mercado como uma das peças mais aguardadas da temporada e rapidamente concentrou a atenção dos principais compradores.
No mesmo leilão, o busto de bronze fundido Danaïde (c. 1913), de Brancusi, foi arrematado por US$ 107,6 milhões, tornando-se a segunda escultura mais cara já vendida, depois de L’Homme au Doigt (1947), de Alberto Giacometti, que alcançou US$ 141,2 milhões em 2015.
Outro resultado expressivo veio de Jackson Pollock. Uma importante pintura do artista ligada ao período clássico do expressionismo abstrato ultrapassou a marca de US$ 50 milhões, reforçando o interesse contínuo por obras históricas da escola norte-americana do pós-guerra. O desempenho confirma a permanência de Pollock entre os artistas mais sólidos do mercado de blue-chip internacional, especialmente em vendas de alto padrão.
Também chamou atenção o resultado alcançado por uma escultura de Alberto Giacometti, negociada na faixa dos US$ 30 milhões, além de obras de Mark Rothko e Cy Twombly, que mantiveram a tendência de valorização de artistas ligados ao modernismo tardio e ao pós-guerra europeu e norte-americano.
O resultado geral do leilão ultrapassou várias centenas de milhões de dólares, consolidando a Christie’s como protagonista da temporada de primavera em Nova York. Mais do que números, a noite evidenciou uma dinâmica cada vez mais seletiva no mercado global de arte: enquanto obras medianas enfrentam maior cautela entre compradores, peças raras, historicamente relevantes e institucionalmente reconhecidas seguem atraindo disputas agressivas e resultados milionários.
Ao transformar o leilão em experiência social e cultural, com eventos paralelos voltados a grandes clientes e convidados do universo do entretenimento, a Christie’s reforça uma estratégia que aproxima mercado de arte, luxo e celebridade. Em um cenário de desaceleração econômica global, o desempenho das obras de Brancusi, Pollock e Giacometti mostra que o topo do mercado internacional continua operando em uma lógica própria, sustentada pela raridade e pelo peso histórico de seus artistas.


