Evento reúne 147 artistas de 22 países em uma programação dedicada às relações entre corpo, desejo e arte contemporânea
O Festival Vórtice retorna ao centro de São Paulo para sua quinta edição consolidando-se como uma das principais plataformas latino-americanas voltadas às interseções entre arte contemporânea, sexualidade e representação do corpo. Entre 30 de maio e 27 de junho, o festival ocupa novamente o edifício da Avenida São Luís, 86, na República, reunindo 147 artistas de 22 países em sua edição mais ampla até agora.
Criado em 2022 pelos artistas e curadores Leonardo Maciel e Paulo Cibella, o projeto surgiu da necessidade de aproximar produções artísticas que investigam desejo, afeto e erotismo em diferentes linguagens visuais. Desde então, o festival expandiu sua dimensão institucional e internacional, tornando-se espaço de circulação para artistas emergentes, nomes históricos, pesquisadores, colecionadores e públicos interessados em debates contemporâneos sobre sexualidade e imagem.
A edição de 2026 evidencia esse crescimento. Após receber 323 inscrições em chamada aberta, número 47,5% superior ao do ano anterior, o festival apresenta obras em pintura, fotografia, escultura, instalação, bordado, publicação, cinema, performance e videoarte. Entre os artistas participantes estão Bruce LaBruce, Alex Flemming, Lisa Wang, Łukasz Leja, Bubby Costa, Issa Tall, Cole Fawcett, Jorge Bortoli, Maria La Sangre, George Striftaris e Vlad Zorin.
A ampliação internacional do festival reflete também um movimento recente de pesquisa e intercâmbio promovido pelo Vórtice, que nos últimos meses realizou visitas a galerias, instituições e ateliês na Alemanha, França, México e Estados Unidos. Aproximadamente 30% dos participantes desta edição são artistas internacionais, consolidando o evento como ponto de encontro entre diferentes cenas contemporâneas ligadas às discussões sobre corpo, intimidade e representação.

Marllon Caetano – Beijo, 2025
Sem adotar uma única linha curatorial ou discurso homogêneo, o festival propõe um panorama plural das práticas artísticas relacionadas à sexualidade, aproximando trabalhos que atravessam temas como fetiche, fantasia, memória, desejo e construção da intimidade. Em vez de organizar uma narrativa fechada, a mostra aposta na coexistência de perspectivas distintas, evidenciando as múltiplas formas pelas quais o corpo continua sendo território de disputa estética, política e simbólica na arte contemporânea.
Além da exposição principal, a programação inclui performances, sessões de cinema, conversas públicas e uma feira de publicações, ampliando a experiência para além do espaço expositivo tradicional. As obras apresentadas também poderão ser adquiridas presencialmente ou por meio da plataforma digital da galeria vinculada ao festival, reforçando a dimensão de mercado que acompanha o crescimento da iniciativa no circuito independente brasileiro.


