Instituição paulista vence categoria de cooperação internacional com mostra sobre as rotas da seda entre Brasil e China
O Museu da Imigração alcançou um marco inédito para a museologia brasileira ao vencer a categoria de Melhor Cooperação Internacional no 23º Prêmio Nacional de Museus da China, considerado o maior reconhecimento do setor no país asiático. A premiação foi anunciada no Dia Internacional dos Museus, celebrado em 18 de maio, durante cerimônia realizada no Inner Mongolia Museum, em Hohhot.
A instituição paulista tornou-se a primeira do Brasil e da América do Sul a ser indicada e premiada na história da honraria, criada em 1997 pela Administração Nacional do Patrimônio Cultural da China em parceria com o ICOM China. Até então, nenhuma exposição realizada em colaboração com o Brasil havia conquistado reconhecimento na premiação.
O prêmio foi concedido à exposição Seda que une montanhas e mares, da China ao Brasil, realizada em parceria com o Museu Nacional da Seda e apresentada entre outubro de 2025 e março de 2026. Reunindo mais de 100 peças, entre artefatos históricos, objetos arqueológicos e indumentárias, a mostra propôs um percurso pelas conexões culturais e comerciais estabelecidas entre os dois países por meio das antigas rotas marítimas da seda.
Organizada em três núcleos, A Origem da Seda, As Rotas da Seda e A Beleza da Seda, a exposição articulou tradição artesanal, memória histórica e produção contemporânea para refletir sobre os processos de intercâmbio cultural entre Brasil e China. O projeto destacou ainda a permanência simbólica e econômica da seda ao longo dos séculos, aproximando narrativas históricas de questões ligadas à circulação cultural global.
Além do conteúdo curatorial, a premiação reconhece critérios como inovação expográfica, impacto social, eficiência logística e engajamento de público. Na edição de 2025, cerca de 150 candidaturas passaram pela avaliação de uma comissão especializada, resultando em 38 finalistas distribuídos entre exposições nacionais, internacionais realizadas na China e mostras apresentadas no exterior.
Para Marilia Marton, secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, a conquista reafirma o papel dos museus paulistas como espaços de intercâmbio e projeção internacional. O reconhecimento também amplia a presença institucional brasileira em um circuito museológico historicamente concentrado entre Europa, Estados Unidos e Ásia, evidenciando a crescente relevância de colaborações culturais entre países do Sul Global.

