Autoridades francesas afirmam ter identificado mensagens, pesquisas e materiais digitais que indicariam a preparação de um possível atentado inspirado por ideologia jihadista em Paris
A prisão de um homem tunisiano de 27 anos, realizada na última quinta-feira em Paris, mobilizou novamente o debate em torno da segurança de instituições culturais europeias após investigadores franceses apontarem o Museu do Louvre como um dos possíveis alvos de um suposto plano de ataque terrorista. A informação foi confirmada pela Promotoria Nacional Antiterrorismo da França, a PNAT, e divulgada inicialmente pelo jornal francês Le Monde.
Segundo as autoridades, o suspeito estaria envolvido em uma “conspiração terrorista com preparação de crimes contra pessoas”, motivada por uma ação inspirada na ideologia jihadista. Embora os investigadores afirmem que nenhum alvo definitivo tenha sido escolhido, o inquérito passou a considerar tanto o Louvre quanto locais associados à comunidade judaica no 16º arrondissement da capital francesa como potenciais pontos de ataque. A investigação começou no fim de abril, quando o homem, identificado como Dhafer M., foi detido durante uma abordagem de trânsito no centro de Paris por portar uma carteira de habilitação falsa. Após a verificação de sua situação migratória irregular, ele chegou a ser liberado enquanto recorria de um processo de deportação. Poucos dias depois, porém, o caso assumiu outra dimensão.
De acordo com o Le Monde, uma análise feita no celular do suspeito revelou vídeos de propaganda jihadista, centenas de imagens de armas de fogo e facas, além de pesquisas relacionadas à fabricação de explosivos e substâncias tóxicas. Entre os conteúdos encontrados, investigadores identificaram também buscas feitas no ChatGPT sobre “como fabricar uma bomba”. As autoridades francesas afirmam ainda que o homem teria trocado mensagens com contatos estrangeiros discutindo possíveis acessos ao Louvre e métodos para instalar explosivos dentro do museu. Outras conversas mencionariam a produção de ricina, substância altamente tóxica, além de referências explícitas ao desejo de atacar judeus em Paris.
Levado a um juiz na última segunda-feira, Dhafer M. negou qualquer intenção de executar um atentado. O caso segue sob investigação e reforça a crescente vigilância em torno de instituições culturais consideradas símbolos internacionais, especialmente em um momento em que museus europeus vêm ampliando protocolos de segurança diante do aumento de ameaças extremistas no continente.

