Reportagem da Reuters afirma ter reunido evidências que ligam o artista a um grafiteiro britânico de Bristol, reabrindo um dos maiores enigmas da arte contemporânea
Uma extensa investigação publicada pela agência Reuters reacendeu um dos maiores mistérios da arte contemporânea: a verdadeira identidade de Banksy. Após anos reunindo documentos, registros policiais e entrevistas, os jornalistas afirmam ter identificado “além de dúvida razoável” quem estaria por trás do pseudônimo do artista que, há mais de duas décadas, se tornou um fenômeno global da arte urbana.
Segundo a investigação, o nome real de Banksy seria Robin Gunningham, nascido em Bristol, na Inglaterra. O relatório indica que ele teria posteriormente adotado o nome David Jones, uma das combinações de nome e sobrenome mais comuns no Reino Unido, estratégia que teria ajudado a preservar seu anonimato após tentativas anteriores de identificá-lo.

Robin Gunningham, em 2004, em Kingston, Jamaica, em ação
A apuração reuniu uma série de evidências documentais que conectam Gunningham às ações atribuídas a Banksy. Entre elas está um registro policial de 2000 em Nova York, no qual um homem com esse nome foi detido após alterar um grande outdoor durante a semana de moda da cidade. O documento inclui uma confissão assinada e coincide com relatos de pessoas próximas ao artista sobre atividades semelhantes realizadas naquele período.

Banksy, Love Is In The Bin | FOTO: Cortesia Sotheby’s
Os repórteres também cruzaram viagens, datas de obras e registros corporativos ligados ao estúdio responsável por autenticar as obras de Banksy. O padrão de deslocamentos identificado nesses documentos coincide com momentos em que murais atribuídos ao artista surgiram em diferentes cidades ao redor do mundo, reforçando a hipótese de que Gunningham seria o responsável pelas intervenções.
Desde o final dos anos 1990, Banksy se tornou um dos artistas mais influentes e populares do planeta, conhecido por murais satíricos que abordam temas como guerra, capitalismo, migração e vigilância. Suas imagens em stencil, muitas vezes instaladas clandestinamente em muros e edifícios públicos, transformaram-se em ícones culturais e alcançaram valores milionários no mercado de arte.

Banksy via Instagram @banksy
O anonimato sempre foi parte central do mito em torno do artista. Ao longo dos anos, surgiram diversas teorias sobre sua identidade — incluindo a hipótese de que Banksy seria o músico Robert Del Naja ou até mesmo um coletivo de artistas. A nova investigação da Reuters, no entanto, afirma ter reunido o conjunto de evidências mais robusto já apresentado sobre o tema.
Apesar da repercussão global da reportagem, o mistério não está completamente encerrado. Representantes ligados ao artista e sua estrutura de autenticação oficial, conhecida como Pest Control Office, não comentaram ou contestaram publicamente as conclusões da investigação.
Mesmo que a identidade por trás do pseudônimo venha a ser confirmada no futuro, muitos críticos argumentam que o verdadeiro impacto de Banksy não depende de um nome. A aura de anonimato — construída ao longo de mais de vinte anos — transformou o artista em uma espécie de personagem coletivo da cultura contemporânea, capaz de circular entre arte, política, ativismo e espetáculo midiático.
Atualização 19/3/2026: Nova imagem de Robin Gunningham, nos dias atuais surge na internet.

Robin Gunningham


