Poucos meses após a morte da histórica galerista Marian Goodman, uma de suas obras mais emblemáticas voltou ao centro do mercado internacional. O quadro Kerze (Candle), de Gerhard Richter, foi vendido por US$ 35,1 milhões durante o leilão da Christie’s em Nova York, tornando-se um dos destaques da temporada de primavera e recolocando em evidência a relação decisiva entre o artista alemão e a marchand que ajudou a consolidar sua projeção internacional.
A pintura faz parte da célebre série de velas produzida por Richter nos anos 1980, considerada uma das mais icônicas de sua trajetória. Embora o resultado tenha ficado abaixo das expectativas mais otimistas do mercado, que estimavam a obra em até US$ 50 milhões, o valor reafirma o peso histórico da produção do artista e o prestígio do acervo pessoal de Goodman.
O leilão integrou a venda “Breaking Ground: The Private Collection of Marian Goodman”, organizada pela Christie’s poucos meses após a morte da galerista, ocorrida em janeiro deste ano. O conjunto reúne obras que Goodman manteve em sua coleção privada ao longo de décadas, incluindo trabalhos de artistas fundamentais para a história da galeria que leva seu nome.
Além da vela monumental, outras obras de Richter também alcançaram cifras expressivas. Mohn (Poppy), de 1995, foi arrematada por US$ 20,07 milhões, enquanto Abstraktes Bild (2009) atingiu US$ 6,54 milhões. Já outra pintura abstrata da série, produzida em 1999, alcançou US$ 2,88 milhões.
A temporada nova-iorquina ainda confirmou a permanência do interesse por nomes históricos do pós-guerra e da arte contemporânea, mesmo em um cenário de desaceleração global do mercado. Entre os resultados destacados pela imprensa internacional aparecem obras de Mark Rothko, com estimativas que chegaram a US$ 100 milhões, além de trabalhos de Jackson Pollock, Jasper Johns e Joan Mitchell, reforçando a força de coleções com procedência histórica e narrativa institucional consolidada.
Mais do que um resultado financeiro, a venda também funciona como uma espécie de homenagem tardia a Marian Goodman, considerada uma das galeristas mais influentes do século XX. Foi ela quem apresentou Richter ao circuito norte-americano ainda nos anos 1980, quando o artista permanecia relativamente distante do mercado dos Estados Unidos. Décadas depois, suas pinturas seguem entre as mais disputadas do circuito global.

