Em cartaz até 22 de novembro, Cosmo Parayzo reúne esculturas em metal, joias bélicas, instalações e performances que exploram questões de identidade, violência, memória e transformação
A artista brasileira Lyz Parayzo celebra uma década de produção artística com a exposição individual Cosmo Parayzo, em cartaz no Paço Imperial, no Centro do Rio de Janeiro. Com entrada gratuita, a mostra apresenta trabalhos que atravessam diferentes momentos de sua trajetória, marcada pela investigação das relações entre corpo, poder, gênero e identidade.
Com curadoria de Carollina Lauriano, Danniel Tostes, Filipa da Rocha Nunes e Julia Tavares, a exposição reúne esculturas em metal, joias bélicas, instalações e performances que exploram as tensões entre proteção e confronto, violência e desejo, resistência e transformação. O desenho expográfico, assinado pelo Estúdio Sauá, propõe um percurso sensorial e tridimensional pelos espaços históricos do Paço Imperial.
A exposição também representa um retorno simbólico ao local onde Parayzo iniciou sua trajetória profissional nas artes, trabalhando como mediadora em 2015. Nascida em Bangu e criada em Campo Grande, na zona oeste carioca, a artista construiu uma carreira internacional que a levou à École nationale supérieure des Beaux-Arts de Paris, onde concluiu o mestrado em 2022. Atualmente radicada na capital francesa, possui obras em coleções de instituições como o MASP, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, o Museu de Arte do Rio (MAR) e o MAC Lyon, na França.
“Meu primeiro trabalho em arte foi em 2015, no Paço Imperial. Anos depois, com reconhecimento internacional da minha prática, retorno ao meu país com a responsabilidade de apresentar toda a construção plástica e intelectual que desenvolvi ao longo dessa caminhada”, afirma a artista.

Lyz Parayzo
O metal ocupa um lugar central em sua pesquisa, que revisita criticamente tradições modernistas brasileiras a partir de perspectivas queer e transfeministas. A relação com o material também possui raízes familiares: Parayzo pertence à terceira geração de uma família de artesãos do metal e é neta do ourives Nelson Hallier. Em suas obras, essa herança se transforma em linguagem escultórica, dando origem a objetos que evocam simultaneamente ornamentação, defesa e ameaça.
Além dos trabalhos artísticos, Cosmo Parayzo incorpora cartas recebidas de amigos ao longo dos últimos dez anos. As correspondências acrescentam uma dimensão íntima à exposição, aproximando a produção da artista de suas experiências pessoais, relações afetivas e memórias.
A mostra propõe um olhar sobre a construção de uma trajetória artística que parte da periferia carioca e alcança o circuito internacional, sem abandonar as questões sociais, políticas e identitárias que atravessam sua produção.
A exposição Cosmo Parayzo, de Lyz Parayzo, fica em cartaz até 22 de novembro de 2026, no Paço Imperial, localizado na Praça XV de Novembro, 48, Centro, Rio de Janeiro. A visitação acontece de terça-feira a domingo, das 12h às 18h, com entrada gratuita.


