Entidade que representa mais de 310 galerias questiona decisão de encerrar a edição de 2026 antes do previsto e afirma que o fim de semana era essencial para os negócios de espaços menores e emergentes
A decisão da Art Basel Paris de encerrar antecipadamente sua edição de 2026, em razão de possíveis manifestações na capital francesa, provocou críticas de galerias participantes. O Comité Professionnel des Galeries d’Art (CPGA), associação que representa mais de 310 galerias e cujos integrantes correspondiam a mais de um quarto dos expositores da feira, cobra uma indenização pelas perdas comerciais decorrentes do fechamento.
Em carta enviada em 28 de outubro a Karim Crippa, diretor da Art Basel Paris, a entidade afirma que não foi consultada antes do anúncio. O comitê considera que o encerramento no sábado, 24 de outubro, atendia a exigências de segurança, mas questiona a decisão de manter a feira fechada no domingo. Segundo o documento, outras sete feiras continuaram abertas em Paris naquele dia, assim como a exposição Cézanne et nous, no próprio Grand Palais.
O fechamento foi anunciado na quinta-feira, 22 de outubro, e antecipou o encerramento da feira para as 19h de sexta-feira, 23, após apenas um dia de visitação pública regular. A organização justificou a medida pela possibilidade de manifestações durante o fim de semana e afirmou que a decisão foi tomada após conversas com galerias e autoridades, incluindo a Prefeitura de Polícia de Paris. Foi a primeira vez que uma feira da Art Basel terminou antes da data prevista.
Para o CPGA, as perdas dos expositores exigem uma compensação financeira, que deveria ser assumida principalmente pela organização. A entidade atribui ao Estado francês a responsabilidade pelas falhas de segurança durante os protestos de 17 de outubro, mas ressalta que a decisão de fechar a feira foi tomada pela própria Art Basel. A organização ainda não apresentou valores ou medidas concretas, mas afirmou estar em contato direto com as galerias e prometeu novidades nos dias seguintes.
O impacto da decisão, segundo o comitê, foi desigual. Embora galerias de grande porte já tivessem realizado boa parte de suas vendas nos primeiros dias, o fim de semana representava uma parcela importante do faturamento de espaços médios e emergentes. Até a noite de 21 de outubro, os expositores haviam informado a venda de 306 obras, totalizando US$ 148 milhões. Entre os destaques estavam pinturas de Gerhard Richter e Georg Baselitz, negociadas por cerca de US$ 10 milhões cada.
Representantes de galerias ouvidos pela Monopol estimaram que os dias de visitação pública do fim de semana correspondiam a 15% a 25% do faturamento total de algumas operações. Para espaços mais jovens, essa participação poderia ser ainda maior. A Art Basel Paris afirmou que está em contato com os expositores para tratar das consequências financeiras e contratuais do encerramento antecipado.


