ENTRE- VISTAMOS MARINA ABRAMOVIC

Muito antes de Marina Abramovic se tornar uma celebridade, a artista sérvia já atraía a atenção do mundo da arte com performances ousadas, colocando seu corpo e  espírito em jogo.

Light/Dark, 1977.

Na primeira delas  (Rythm 10, 1973), Abramovic fincava facas entre os dedos da mão aberta sobre uma mesa, à moda do jogo russo, trocando a faca cada vez que se feria.

Após sua união com o artista Ulay, em 1976, os dois passam a atuar juntos em trabalhos em que o ego e o outro são tema, aproximando sua arte e sua vida pessoal.

Marina Abramovic e Ulay, Rest Energy, 1980.

A separação do casal, em 1988, resultou na obra The Great Wall Walk, em que cada um parte de uma extremidade da muralha da China e caminha até a outra, encontrando-se no meio  do caminho.

Em 2009, Marina concedeu uma entrevista exclusiva à Dasartes, elogiada pela artista como uma das melhores de sua carreira. VEJA A SEGUIR ALGUNS MELHORES TRECHOS:

Dasartes - Você definiu a performance como um diálogo, uma troca de energia entre artista e público. Nesse sentido, suas performances poderiam ser vistas como obras públicas sui generis, por seu alto sentido relacional, e até mesmo pela presença de um público numeroso?

MA-  Cada vez vão existir elementos diferentes, coisas para as quais você não estava preparado, que não estavam planejadas, mas que ficam sendo parte da performance. Então eu poderia dizer que sim, cada trabalho é único.

Dasartes - Você constrói rituais nas próprias performances e rituais podem ser vistos como exercícios de meditação, em sintonia com o sagrado. Poderíamos pensar que se trata de uma procura do outro, e em suma, de uma intimidade radical?

MA- Eu não uso rituais no meu trabalho. Rituais estão relacionados com religião. Performance não é um ritual. Gosto de usar elementos de diferentes culturas e de repetí-los, porque acho que a repetição na performance traz um estado de espírito mais consciente do “aqui e agora”.

Dasartes - A realidade é sempre um mistério, um espaço complexo, desconhecido. Nesse sentido, a arte poderia ser pensada como um assunto existencial mais do que como discurso meramente estético? Você acredita que o artista possa ter uma função na sociedade?

MA- Estética é bom, mas não é a essência do mundo. A arte pode ser muito mais do que isso, pode ser política e social, perturbadora e espiritual, e prever o futuro. Só assim a arte terá a chance de sobreviver em outros séculos, de sobreviver através do tempo.

Se mil pessoas vêem o mesmo trabalho, haverá mil histórias diferentes.” “A arte pode prever o futuro”

Marina Abramovic

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