© Tatiana Coelho

Geometria afetiva de Tatiana Coelho

Em seu ateliê, a artista plástica carioca Tatiana Coelho pinta cercada de cores. Dos tubos de tintas e pincéis, das janelas pintadas de azul, do verde do lado de fora, além de muitos livros. Publicações sobre Judith Lauand e Fayga Ostrower dividem espaço com Ponto e linha sobre o plano, de Kandinsky, e Francis Bacon: Lógica da Sensação, de Gilles Deleuze. Nas paredes, suas composições geométricas e o desafio diário que é pensar e produzir arte abstrata no contemporâneo.

POR DOMI VALANSI

“Eu não trabalho com rascunhos, não me sinto confortável. Traço as formas e pinto direto na tela, apagando e adicionando, sem uma paleta de cores fechada. A escolha das cores e das formas acontece durante o processo, a partir das relações que vão se estabelecendo na pintura, ela é quem conduz. Não estou reinventando a roda, mas acho que a geometria e as cores têm vida própria”, conta. A potência das cores presente em sobreposições dá diferentes texturas às camadas criadas por jogo de perspectivas ou ainda alguma transparência para formas não figurativas, que, apesar de não orgânicas, destacam a mão da artista e o seu fazer na tela.

© Tatiana Coelho.

© Tatiana Coelho.

Outro elemento importante de sua pintura são os chassis, que fogem do retangular e partem para losangos e círculos. A artista se utiliza da geometria também no suporte, para depois quebrar uma estabilidade, ao pintar formas diferentes nas telas. “Também estou buscando um pouco desse incômodo que a geometria não tem. Quero, dentro da geometria, buscar esse incômodo, porque é algo humano.”

Formada em Economia e também mestre na área pela FGV, Tatiana Coelho começou sua transição de carreira a partir da formação teórica em artes visuais, em 2022, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, com ênfase em processos curatoriais e história da arte. Em 2023, a artista começou a atuar no campo prático da pintura, também na EAV, aprofundando sua pesquisa cromática no curso Pintura Além do Quadro, de Bernardo Magina. Apesar de ter deixado sua atuação como economista, ela ainda influencia sua produção artística. “Eu sempre gostei muito de matemática, mas eu pinto uma geometria mais intuitiva, onde introduzo a cor, um se ‘expressar’. As pessoas pensam em algo muito rígido em relação à geometria, mas minhas estruturas não precisam ter milímetros contados.”

© Tatiana Coelho.

Atualmente participa da coletiva Matrizes, em cartaz no Centro Cultural Memorial Getúlio Vargas, na Glória. A mostra, que também reúne obras de Bim Brito, Juliana Fernandez e Rafa Dias, propõe um encontro entre diferentes investigações da abstração contemporânea.

Segundo a curadora Emmanuele Russel, “os trabalhos de Tatiana Coelho convidam o observador a explorar tensões entre racionalidade e sensibilidade, criando composições que desafiam a estabilidade do olhar”. A mostra vai até o dia 16 de agosto. O Centro Cultural Memorial Getúlio Vargas fica na Praça Luiz de Camões, subsolo – Glória. Funcionamento: de quarta a domingo, das 10h às 17h. Entrada gratuita.

Domi Valansi é jornalista com foco em artes visuais e museus com pós-graduação em Fotografia com instrumento de pesquisa das ciências sociais
As matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião da revista Dasartes, sua equipe e conselho editorial.
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