POR GEOVANA BOSAK
A mostra Re-Selvagem – Natureza Inventada venceu prêmio internacional na França e Marcello Dantas, curador da exposição levou o Créateurs Design Awards 2026 por mostra na Casa Bradesco
A exposição Re-Selvagem – Natureza Inventada, da artista francesa Eva Jospin, venceu o prêmio Créateurs Design Awards 2026, um dos prêmios internacionais mais importantes de arte e design, marcando a primeira vitória do Brasil na categoria curadoria. Marcello Dantas, curador da exposição, esteve em Paris, na França, para receber o prêmio.
A exposição
A mostra esteve em cartaz na Casa Bradesco, em São Paulo, do dia 06 de setembro a 11 de dezembro de 2025, apresentando 14 obras em grande escala, entre instalações, bordados, desenhos e vídeos, que remetem à força da natureza a partir de materiais como papelão, seda e linho.
Sob a curadoria de Marcello Dantas, a exposição integrou oficialmente a Temporada França-Brasil/Ano Cultural Brasil-França 2025, que celebrou 200 anos de relações diplomáticas entre os dois países, com mais de 300 eventos culturais até dezembro de 2025.
Re-Selvagem – Natureza Inventada e o saber manual

Detalhes da obra Selva, feita com papelão. Foto: Geovana Bosak
A instalação Selva foi um dos principais destaques. A obra representa uma floresta feita de papelão, madeira e fibras naturais. Exibida na 60ª Bienal de Veneza, ela é considerada um dos marcos do trabalho de Jospin.
Em masterclass na Sala Acima, espaço da Casa Bradesco destinado a oficinas e palestras, o curador Marcello Dantas destacou a relevância do trabalho manual no pensamento por trás da exposição. Para ele, a força do papelão em Jospin está em reconectar o material à sua trajetória.
“Quem sabe quanto custa uma caixa de papelão? Você nunca pagou por um. Tá sempre embutido no produto ou de graça no supermercado. O papel veio do solo, da terra, do tempo, do processamento industrial e do descarte. Como pode chegar às nossas mãos valendo nada?”, provocou.
Dantas explicou que a artista resgata a dignidade desse material, devolvendo-lhe a condição simbólica de floresta, um ecossistema vivo e complexo que vai muito além da soma de árvores.
“Ele entra, sai da natureza, passa pelo homem, entra pela sociedade, transporta bens e serviços e volta a ser dignamente essa instituição simbólica que é a floresta. Árvore não é floresta. Floresta não é árvore. São equívocos que as pessoas entendam que floresta é um ecossistema. A floresta é um sistema de sabedoria, onde convivem solo, microrganismos, cipós, insetos, rios, densidade e desorientação. É esse infinito de relações que a obra de Jospin evoca”, afirmou.
Chambre de Soie, o Jardim de tecidos

Painel Chambre de Soie. Exposição Re-Selvagem na Casa Bradesco. Foto: Geovana Bosak
Chambre de Soie, é outro grande destaque da mostra. A tapeçaria envolve o visitante em um jardim inteiramente bordado. Com 3,5 metros de altura e 107 metros de extensão, o painel foi produzido com 400 tonalidades de fios de seda, cânhamo, linho e algodão, feito manualmente pela Chanakya School of Craft, na Índia.
A obra, originalmente apresentada em projetos da Maison Dior e em instalações como a Orangerie de Versalhes, ganhou na Casa Bradesco uma das montagens mais imersivas já realizadas.

Detalhes do bordado no painel Chambre de Soie. Exposição Re-Selvagem. Foto: Geovana Bosak
Em homenagem à obra Chambre de Soie (Quarto de Seda), a Casa Bradesco promoveu uma oficina de bordado coletivo para marcar o encerramento da exposição. A atividade ocorreu nas últimas semanas da mostra, entre os dias 01 e 11 de dezembro, na Sala Acima.

Oficina de bordados na Sala Acima, na Casa Bradesco, promoveu vivência colaborativa durante encerramento da exposição Re-Selvagem. Foto: Geovana Bosak
A proposta foi criar um painel bordado construído por muitas mãos, em diálogo com a multiplicidade que marca a obra de Jospin.

