Sibusiso, Cagliari, Sardinia, Italy, 2015 © Zanele Muholi. Courtesy of Stevenson, Cape Town/Johannesburg and Yancey Richardson, NY

DASARTES 89 /

Zanele Muholi

Série de fotografias da artista sul-africana ZANELE MUHOLI, clicadas ao redor do mundo, confronta as complexas políticas globais de raça, gênero e representação.

Zanele Muholi (1972) é ativista visual e fotógrafa e mora em Joanesburgo. Segundo a artista, sua autoproclamada missão é “para re-escrever um negro, queer, e a história transvisual do Sul da África para o mundo saber de nossa resistência e existência nesse auge de crimes de ódio na Africa e além.”

Muholi cofundou o Fórum para o Empoderamento das Mulheres (FEW) em 2002 e o Inkanyiso (www.inkanyiso.org), um fórum para mídias queer e visuais (ativistas), em 2009.

Muholi estudou Fotografia Avançada na Oficina Foto Mercado, em Newtown, Joanesburgo, e em 2009 completou em MFA: Documentário Mídia na Ryerson University, em Toronto. Em 2013, ela se tornou Professora Honorária na Universidade do Artes / Hochschule für Künste Bremen. Mais recentemente, Muholi foi agraciada na França como a mais alta honra cultural, o Chevalier de l’Ordre des Arts des Lettres.

Sua obra foi incluída no pavilhão sul-africano na 55ª Bienal de Veneza (2013) e tomou parte na Bienal de São Paulo (2010) e Documenta 13, Kassel (2013). Exposições individuais recentes incluem o Museu do Brooklyn, Nova York (2015); Rencontres d’Arles (2016); e Museu Stedelijk, Amsterdã (2017). Suas fotografias são representadas nas coleções de Centro Georges Pompidou (Paris), o Guggenheim (Nova Iorque), Museu de Fotografia Contemporânea (Chicago), Tate Modern (Londres), National Gallery Sul Africano (Cidade do Cabo), e outros.

Para a série fotográfica Somnyama Ngonyama, Zulu for Hail the Dark Lioness, nas palavras da artista, a série convida o espectador em “uma desconfortável jornada de autodefinição, a repensar a cultura de autorrepresentação e autoexpressão”.

Feito na Europa, Ásia, Norte da América e África, entre 2014 e 2017, cada retrato é distinto e coloca perguntas críticas sobre injustiças sociais, direitos humanos e contestadas representações do corpo negro. Muholi habilmente emprega convenções de retratos clássicos e fotografia de moda e mistura tropos de imagens etnográficas para estabelecer diferentes arquétipos e personas. Um nome significativo de cada um dos 76 retratos é dada em isiZulu, a primeira língua da artista que agora vive em Joanesburgo.

Os retratos geralmente contam com materiais encontrados, que se tornam culturalmente adereços carregados. Esfregões e luvas de látex abordam temas de servidão doméstica. Pneus de borracha, cabos elétricos e abraçadeiras referenciam formas de brutalidade social e exploração capitalista. Coletivamente, os retratos evocam a situação dos trabalhadores: empregadas domésticas, mineiros, e membros das comunidades marginalizadas. Da mesma forma, plásticos chamam a atenção para as urgentes questões ambientais e resíduos tóxicos, enquanto conchas e pulseiras de miçangas destacam representações clichês e exotizadas do povo africano. O contraste da pele de Muholi é reforçado em pós-produção para se tornar um ponto focal para questionar beleza, orgulho e as interligadas fobias e -ismos de homofobia, transfobia, xenofobia, racismo e sexismo que são navegados diariamente.

Nas memórias pessoais e visuais de Muholi – um arquivo do eu –, a artista muitas vezes olha desafiadoramente para a câmera, instigando os espectadores enquanto afirma firmemente sua identidade cultural em seus próprios termos. Esses retratos autorreflexivos e psicologicamente carregados são, sem remorso, a exploração das restrições de história, ideologias e das realidades contemporâneas.

Compartilhar:

Confira outras matérias

Resenha

SANDRA VÁSQUEZ DE LA HORRA

A VIAGEM IMAGINÁRIA
A obra de Sandra Vasquez de la Horra reflete seu legado sócio-cultural. A artista nasceu no Chile em …

Reflexo

MAXWELL ALEXANDRE

AOS 30 ANOS, MAXWELL ALEXANDRE RETRATA EM SUA OBRA UMA POÉTICA QUE PASSA PELA CONSTRUÇÃO DE NARRATIVAS E CENAS ESTRUTURADAS A PARTIR …

Garimpo

MARJÔ MIZUMOTO

“MINHA PINTURA VEM DA IDEALIZAÇÃO ROMÂNTICA DO TRIVIAL, DO ORDINÁRIO, DO COTIDIANO, DA BANALIDADE. SINTO QUE EXISTE UMA POTÊNCIA NO …

Flashback

MAX KLINGER

PIONEIRO DO SIMBOLISMO ALEMÃO, MAX KLINGER (1857-1920) FOI UMA DAS PERSONALIDADES ARTÍSTICAS MAIS PROEMINENTES E, AO MESMO TEMPO, MAIS CONTROVERSAS …

Destaque

KRIS MARTIN

KRIS MARTIN CRIA IMAGENS A PARTIR DE OBJETOS QUE LEVANTAM QUESTÕES SOBRE CONCEITOS COMO TRANSITORIEDADE, IDENTIDADE E MORTE. DENTRO DE TEMAS …

Alto relevo

GEORGES BRAQUE

O MUSEU BUCERIUS KUNST FORUM ESTÁ DEDICANDO UMA RETROSPECTIVA A GEORGES BRAQUE, A PRIMEIRA PESQUISA ABRANGENTE DE SUAS PINTURAS NA …

Reflexo

VIVIAN CACURI

VIVIAN CACCURI CRIA OBJETOS, INSTALAÇÕES E PERFORMANCES QUE BUSCAM REFORMULAR A EXPERIÊNCIA COTIDIANA E, POR EXTENSÃO, PERTURBAM AS NARRATIVAS TRADICIONAIS. EM …

Flashback

ARTEMISIA GENTILESCHI

ARTEMISIA GENTILESCHI FOI UMA DAS MAIORES PINTORAS DO PERÍODO CONHECIDO COMO BARROCO ITALIANO. NASCIDA NA ÚLTIMA DÉCADA DO SÉCULO 16, …

Capa

LYNETTE YIADOM-BOAKYE

AS FIGURAS NAS PINTURAS DE LYNETTE YIADOM-BOAKYE NÃO SÃO PESSOAS REAIS – ELA AS CRIA A PARTIR DE IMAGENS ENCONTRADAS …

Destaque

JUDY CHICAGO

MUSEU DE SÃO FRANCISCO CELEBRA A ARTISTA FEMINISTA PIONEIRA JUDY CHICAGO COM A PRIMEIRA RETROSPECTIVA DE SEU TRABALHO. DESDE O SEU …

Alto relevo

KATHARINA GROSSE

A PINTURA DE KATHARINA GROSSE PODE APARECER EM QUALQUER LUGAR. SEUS EXTENSOS TRABALHOS SÃO MUNDOS VISUAIS MULTIDIMENSIONAIS NOS QUAIS PAREDES, TETOS, …

Alto relevo

AQUILO QUE NÃO SE VÊ - PARA OXÓSSI

“Fungos e liquens aniquilam as nossas categorias de gênero. Eles reorganizam nossas ideias de comunidade e cooperação. Ferram com o …

Garimpo

JANA EULER

CONSTRUINDO FABULAÇÕES PICTÓRICAS EXCÊNTRICAS, AS INÚMERAS TÉCNICAS DE CRIAÇÃO DE IMAGENS DA ARTISTA ALEMÃ JANA EULER EXAMINAM E EXAGERAM AS …

Reflexo

Ana Paula Oliveira

A ARTISTA MINEIRA RADICADA EM SÃO PAULO, ANA PAULA OLIVEIRA CRIA SITUAÇÕES POR MEIO DE DIVERSAS LINGUAGENS E MATERIAIS E …

Flashback

JAMES TISSOT

PINTOR BRILHANTE DA ALTA CLASSE SOB O SEGUNDO IMPÉRIO E DOS COSTUMES DA SOCIEDADE VITORIANA INGLESA, DOS ARISTOCRATAS ELEGANTES E …