
Série Elementar, Ensaio Poder de Tajá, 2020. © Uýra. Foto: Hick Duarte.
FOTOPERFORMANCE CAOS

Fotoperformance Caos, Série Mil [quase] Mortos, 2018. © Uýra. Foto: Matheus Belém.

Ensaio Caos, Série Elementar, 2018. © Uýra. Foto: Matheus Belém
“Manaus, imersa no centro geográfico da Amazônia, é como muitas cidades do Brasil: cresceu agarrada aos seus igarapés, mas que hoje os transformou em lixões a céu aberto. Partes da paisagem do invisível da cidade, eles seguem transitando-a, com a força que têm. Poluídos, mas não mortos de vez.
O ensaio Caos foi construído em 2018, com fotografia de Matheus Belém. É parte da Série Mil [quase] Mortos, que mostra o cenário de degradação ambiental, simbólica e espiritual de trechos do Igarapé do Mindú, o maior da cidade – que a atravessa, e espelha suas verdades. Igarapé, na língua Tupi, significa “caminho de canoa”. O ensaio irmão se chama Boiúna, e ambos ocorreram em trechos estratégicos do leito do Mindú, onde há memória das pessoas em relação à água, que, até os anos 1960, era limpa e usada para fins diversos. Caos foi feito no trecho da primeira estação de distribuição de águas da cidade. Mais que o lixo, o ensaio provoca também a ver e pensar sobre todo o ecossistema presente de Vidas (plantas, gentes e outros bichos) que, no caos, resistem.”
Veja mais AQUI.
Ensaio Terra Pelada

Ensaio Terra Pelada, Série A Última Floresta, 2018. © Uýra. Foto: Matheus Belém.
FOTOPERFORMANCE FRUTIFICAR

Fotoperformance Frutificar, Série Retomada, 2021. © Uýra. Foto: Matheus Belém. Veja mais
“É o momento de dar fruto, componente nº 9 da história indivisível de dez fotografias contada na série Retomada. Comissionada pela 34º Bienal de São Paulo, a série conta o ciclo de vida das plantas que crescem sobre o cimento físico e do imaginário colonial das cidades. É resultado de uma pesquisa minha de cinco anos, em que cataloguei centenas de espécies de plantas pioneiras habitando os locais mais improváveis da cidade: crescendo nas frestas do asfalto, agarradas aos paredões de prédios, habitando o interior do concreto de casarões abandonados, cobrindo muros, grades e calçadas. Plantas que ancestralmente reterritorializam com vida, locais de abandono e violência da cidade. A Ecologia chama esse processo de sucessão ecológica, um conjunto ordenado e gradual de retorno da floresta e sua diversidade em uma paisagem antes destruída. Essas plantas, de maioria medicinal e alimentícia, têm um ciclo de vida intenso e rápido: germinam, e logo crescem, espalham-se e se reproduzem, gerando muita matéria orgânica e sombra – condições ideias para o crescimento de outras espécies e, logo, de uma nova floresta.”
Veja mais AQUI
Ensaio Lama

Série Elementar, Ensaio Lama, 2017. © Uýra. Foto: Keila Sankofa e Sindri Mendes.

Série Elementar, Ensaio Lama, 2017. © Uýra. Foto: Keila Sankofa e Sindri Mendes
VIDEOPERFORMANCE MANAUS, CIDADE NA ALDEIA

Videoperformance Manaus, Cidade na Aldeia.
© Uýra. Foto: Alonso Júnior.
“O Brasil foi inventado sobre territórios indígenas, e Manaus é parte disso. Foi base militar, depois se tornou refúgio de missionários e também um “curral de índios” – nomenclatura colonial para indicar locais de aprisionamento de pessoas indígenas, até seu transporte para os mercados escravagistas de Belém-PA. A cidade tem esse nome por uma suposta homenagem de um político local, ao povo Manaós, que habitou o território até sua extinção. Hoje, a cidade pouco sabe dessa história, e vive uma crise instalada pelo colonialismo, de autoestima a respeito de suas próprias origens, em razão do racismo e apagamento histórico gerados ao longo dos séculos. Manaus é uma cidade na aldeia e, pelo IBGE, uma das mais indígenas do Brasil – tanto por gente viva, quanto por memória na terra. Só em 2002, foram encontradas mais de 300 urnas funerárias na praça Dom Pedro II, onde se passa parte importante da videoperformance. Eu caminho por monumentos coloniais do entorno, contando suas verdadeiras histórias. Na mesma região, o Museu da Cidade de Manaus, que detém essas urnas, exibe-as de forma bastante questionável e o movimento indígena luta pelo reconhecimento da região como sagrada.”
Assista AQUI
INSTALAÇÃO MALHADEIRA

Instalação Malhadeira, 2021. © Uýra. Foto cortesia: 34º Bienal de São Paulo
“Obra comissionada pela 34º Bienal de São Paulo, Malhadeira é um conjunto de fitas afixadas no chão e coberta por uma malha de sementes de seringa. Os elementos utilizados retratam parte da história de Manaus, cruzando seu primeiro ciclo econômico da borracha, que ampliou seu desenvolvimento urbano e político, com os massacres indígenas e aterramentos das águas – partes do período, mas não da História. Na malha urbana da cidade, com precisão reconstruída em fitas, o destaque é a Avenida Constantino Nery, que atravessa Manaus, cobre centenas de igarapés de quatro das suas oito bacias hidrográficas, e foi criada à base do genocídio indígena desde sua extensão (a BR174 – Amazonas/Roraima). Constantino era o então governador, autorizou essas ações, nunca foi responsabilizado, mas homenageado. A instalação provoca a ver as águas por cima de toda essa história, pois assim estão, de verdade, submergindo sempre que chove, em razão de sua memória de alagamento. A instalação desvira os mundos, realoca as águas e memórias dos povos aos olhos das gentes.”
PERFORMANCE PONTO FINAL, PONTO SEGUIDO

Performance Ponto Final, Ponto Seguido, 2022. © Uýra. Foto: Paolo Stolpmann.
Minha recente pesquisa chama Ressurgências, um conjunto de obras em instalação, performance e fotoperformance que retrata como a vida retorna aos lugares, de onde é expulsa. Dessa pesquisa nasceu a instalação Malhadeira – que conta as águas, a série Retomada – que conta as plantas –, e também Ponto Final, Ponto Seguido, que conta, em um sistema radicular desenhado com terra preta no chão, o ressuscitamento da Terra, que dorme debaixo dos cimentos, e precisa respirar. A performance é isso: um respiro da Terra, e de nossa gente. Apresentada pelos mundos, em uma itinerância que passou pela Áustria, Itália, Kosovo, Estados Unidos e, no Brasil: (duas vezes) São Paulo, São José do Rio Preto, Rio de Janeiro e Curitiba, a performance encerrou o seu primeiro ciclo de apresentações de 2022, no mês de setembro, à beira do mar de Recife-PE.
PRÊMIO PIPA 2022 •
PAÇO IMPERIAL • RIO DE JANEIRO •
1/9 A 20/11/2022
SUPERNOVA • MAM RIO •
RIO DE JANEIRO • EM DEZEMBRO

