Etnias, 2019

DASARTES 93 /

Rafael Baron

RAFAEL BARON é um dos vencedores do Concurso Garimpo 2019/2020 por voto popular. O artista de Nova Iguaçu (RJ) se dedica à pintura figurativa e, mais especificamente, à representação da figura humana. Rafael utiliza seu trabalho como meio de engajamento político, abordando problemáticas como preconceitos sociais, racismo, LGBTfobia, misoginia, pobreza. Por Thiago Fernandes.

Rafael Baron é um dos vencedores do Concurso Garimpo 2019/2020 por voto popular. O artista de Nova Iguaçu (RJ) se dedica à pintura figurativa e, mais especificamente, à representação da figura humana. Rafael utiliza seu trabalho como meio de engajamento político, abordando problemáticas como preconceitos sociais, racismo, LGBTfobia, misoginia, pobreza, etc.

André and Bruna, 2019

Nas pinturas de Rafael, destacam-se as pinceladas expressivas e cores fortes. O artista se distancia da representação naturalista e faz composições em que predominam manchas cromáticas que dão forma a seus personagens. Figuras humanas, geralmente sozinhas ou em dupla, ocupam quase a totalidade dos quadros, sem deixar revelar o cenário onde se apresentam. Os fundos abstratos, compostos por cores cuidadosamente escolhidas, projetam para frente as figuras centrais, construídas por cores quentes e chapadas, às quais se somam pequenas manchas que parecem sugerir algum volume, mas atuam, sobretudo, no realce da expressividade e do dinamismo das figuras.

Alessandra, 2019

Uma característica que se apresenta em todas as pinturas de Rafael é a individualidade das figuras mostradas. Embora o artista determine certos padrões que conferem unidade a seus personagens – como a redução dos olhos a duas manchas pretas e o destaque dado aos lábios por seu vermelho vibrante –, cada figura apresenta sua personalidade e parece contar uma história, sugerida – nunca revelada – por alguns detalhes particulares que o artista acrescenta às imagens. Para afirmar sua identidade, os personagens recebem nomes e, assim, imaginamos as histórias que existem por trás de Hannah, Paulo, Mário, Dani, Evelyn, Marie, John e tantos outros.

Jeremy, 2020

Rafael é um observador atento e, para construir seus misteriosos personagens, parte de diversas fontes, inclusive sua própria imaginação. A androginia das figuras assinala o caráter aberto de suas obras e o desejo de tornar o espectador um coautor, responsável por dar forma às histórias que são apenas sugeridas.

Marias, 2020

A representação dos afetos também é um tema comum nos trabalhos de Rafael. Não raramente seus personagens são representados abraçados ou em situações íntimas. Ou, como no caso de Hannah (2019), abraçando a si, como uma manifestação de orgulho, empoderamento e cuidado de si. É também pela noção de afeto e empatia que Rafael aproxima suas obras do público, levando-o a se identificar com os personagens que cria e com as narrativas que suscita. A representatividade se coloca como conceito substancial na elaboração de seu universo imagético, onde as margens fluem para o centro e a eloquência das formas puxam o espectador para seu interior.

Hannah, 2019

 

Compartilhar:

Confira outras matérias

Destaque

REN HANG – NUDES

A mostra NUDES, do artista chinês Ren Hang, apresenta um compêndio de 90 obras, sendo uma retrospectiva com os trabalhos …

Alto relevo

NICOLAS DE STAËL

Nicolas de Staël (São Petersburgo, 1914-1955) é um dos artistas mais relevantes do panorama artístico francês desde 1945. A exposição …

Flashback

JAN VAN EYCK

JAN VAN EYCK ESTEVE AQUI

Foi o historiador Gombrich quem disse que “um simples recanto do mundo real fora subitamente fixado …

Alto relevo

J. CARLOS

J. Carlos (1884-1950), como ficou conhecido José Carlos de Brito e Cunha, era carioca de Botafogo, e viveu grande parte …

Do mundo

Félix Fénéon

Nunca é demais reforçar: no mundo da arte, nem tudo é sobre o artista. De fato, a arte moderna parece …

Capa

AUBREY BEARDSLEY

Com pouco mais de seis anos de produção, Aubrey Beardsley não apenas marcou uma época e inseriu seu nome na …

Alto falante

Sim

“Eu preferiria não”
Herman Melville

Sim. São diversas opções. Sim. Existem horários sobrepostos. Sim. Há certa sensação de democratização de acesso. Sim. …

Flashback

JAMES TISSOT

O MODERNO AMBÍGUO

James Tissot nasceu em 1836 e morreu no alvorecer do século 20. Teve uma longa carreira em ambos …

Capa

ALEX KATZ

A aparente simplicidade das pinceladas de Alex Katz pode gerar desinteresse apenas ao olhar desatento. Os grandes blocos de cor, …

Destaque

WOLFGANG TILLMANS

Nascido em 1968, em Remscheid, Alemanha, Tillmans estudou no Poole College of Art e Design, em Bournemouth, Inglaterra. Em 2000, …

Alto relevo

FRANK WALTER

“Nossa coroa já foi comprada e paga. Tudo o que precisamos fazer é usá-la.”
James Baldwin, em uma conversa na televisão, …

Garimpo

JANA EULER

Concebidos nos últimos três anos, os trabalhos da exposição Unform trazem muitas das investigações pictóricas de Euler sobre as inter-relações …

Reflexo

ANA PAULA OLIVEIRA

“Escrever sobre o próprio trabalho sempre é desafiador para mim, difícil encontrar palavras para algo indizível…. proponho aqui algumas reflexões …

Resenhas

O baile urbano e sincrônico de Bettina Pousttchi em Berlim

“Todo objeto, sem exceção, quer seja criado
pela natureza ou pela mão do homem, é um ente
com vida própria que inevitavelmente …

Alto falante

Amor

Elxs acordaram em um tempo cíclico, onde a referência de passado e futuro tinha desaparecido quase instantaneamente. E, mesmo sabendo …