Still de HX, 2018-19, Cortesia de Cao Fei e Vitamin Creative Space.

DASARTES 87 /

Cao Fei

CAO FEI é uma das artistas mais proeminentes na cena chinesa contemporânea. Suas influências são marcadas pelas grandes transformações que atingiram a China nas últimas décadas, abordando a globalização e a classe trabalhadora. Centro Pompidou apresenta sua individual Hongxia, para apresentar seu projeto de exploração no bairro homônimo de Pequim.

SÉRIE KARAOKE, 2019

Still de HX, 2018-19, Cortesia de Cao Fei e Vitamin Creative Space.

Seguindo o estilo dos vídeos de karaokê, a Série Karaoke é um relato visual do cotidiano dos habitantes de Jiuxianqiao.

Filmado por mim e minha equipe de 2015 a 2019, esses seis vídeos refletem os desafios enfrentados por essa comunidade em transformação. Como o distrito de Jiuxianqiao (Hong Xiao) está no centro dessa exploração, outras imagens da área circundante, como o novo centro administrativo de Pequim em Tyongzhou e o novo distrito de Xiong’an, nos dão um panorama mais amplo pela urbanização desenfreada da China. Cada vídeo é acompanhado por uma música folclórica soviética tradicional. Todas essas músicas foram amplamente transmitidas na China nos anos 1950 e 1960. Esses vídeos são uma realidade pluralista da China atual, construída em memória de uma geração passada.

A ESTRADA DO SUL JIUXIANQIAO, 2017-2019

Duas caixas de luz fotográficas refletem as transformações da Jiuxianqiao South Road no distrito de Jiuxianqiao, antes de 2016, e após a implementação da política de limpeza “Buraco na parede” (2017).

Desde a década de 1980, com a transição da China para uma economia de mercado, muitos moradores de Pequim transformaram fachadas de edifícios residenciais em lojas e começaram a vender itens e alimentos cotidianos, um fenômeno chamado “Buracos abertos na parede”.

Ao longo dos anos, o Conselho Municipal fez inúmeras tentativas para combater esse fenômeno. Em 2017, vários escritórios e departamentos do governo uniram forças e seus esforços para restaurar, em toda a cidade, as fachadas dos edifícios danificados por esses “buracos”.

HONGXIA, 2019

HONGXIA, 2019.
Interior do Hongxia Cinema, 2018. Cortesia de Cao Fei e Vitamin Creative Space.

Na década de 1950, com o apoio da União Soviética, as fábricas 718, 774 e 738 nos subúrbios a leste de Pequim se tornaram elementos importantes da industrialização socialista da China. Impacientes em participar do desenvolvimento de uma nova indústria eletrônica nesses locais, muitos jovens chineses se estabeleceram em Jiuxianqiao. Devido à falta de moradia para esses trabalhadores, as fábricas começaram a construir bairros residenciais no modelo soviético de Khrushchev.

Criado como parte de um programa de bem-estar social, esses bairros com locais de entretenimento como o Hongxia Cinema e o Dance Hall são muito interessantes para os trabalhadores. A chegada da economia de mercado na década de 1980, no entanto, interrompeu todo o sistema e o bairro foi objeto de um redesenvolvimento urbano. Este vídeo, feito na forma de um documentário, combina entrevistas com aposentados das fábricas 738 e 774, o ex-diretor do cinema Hongxia, descendentes de trabalhadores, especialistas em história urbana, arquitetos, fotógrafos, e se apresenta como um relato oral de uma comunidade ameaçada de extinção.

A ONDA ELÉTRICA SEM FIM, 2019

Still de HX, 2018-19, Cortesia de Cao Fei e Vitamin Creative Space.

Este trabalho consiste em duas partes. Por um lado, são romances soviéticos de ficção científica publicados na China entre as décadas de 1950 e 1980 e, por outro lado, várias obras literárias relacionadas ao enorme salto tecnológico da China.

Deve-se notar que, até o final dos anos 1980, a ficção científica chinesa era essencialmente um derivado do gênero soviético. Por exemplo, Beyond the Earth, de Constantin Tsiolkovsky, publicado pela primeira vez na década de 1920, tornou-se mais tarde um dos romances de ficção científica mais lidos na China, influenciando o futuro desenvolvimento da ficção científica vernacular chinesa. Andromeda: a Space-Age Tale, de Ivan Yefremov (década de 1950), e Ye Yonglie’s Little Smartie Roaming the Future também estão entre os títulos mais influentes. Essas publicações serviram de inspiração para o filme Nova, também apresentado na exposição.

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