Em uma recente entrevista ao podcast de Louis Theroux, Marina Abramović revelou que The Artist Is Present — hoje considerada uma de suas performances mais emblemáticas — foi inicialmente vista com descrédito por curadores do MoMA. Durante os preparativos para sua grande retrospectiva de 2010 no museu, a artista ouviu do então diretor do MoMA PS1, Klaus Biesenbach, que sua ideia era “totalmente ridícula” e que, em Nova York, “ninguém tem tempo para sentar nessa cadeira”. A previsão pessimista, no entanto, distanciava-se por completo do impacto que a obra teria.
Realizada no átrio do MoMA ao longo de três meses, a performance consistia em Abramović sentada, silenciosamente, diante do público, permitindo que visitantes se revezassem para encará-la por alguns minutos. A artista contou que a cadeira que Biesenbach acreditava permanecer vazia “nunca ficou desocupada”. Mais de 1.500 pessoas participaram da experiência, que se tornou um marco do museu e ampliou de maneira decisiva a presença de Abramović no imaginário contemporâneo.
Na entrevista, a artista também refletiu sobre sua relação com o mercado de arte, afirmando jamais ter criado obras pensando em valor comercial, ao contrário de Damien Hirst, cujo uso estratégico do mercado ela elogiou. Abramović discutiu ainda sua longa associação com resistência física e dor, explicando que não busca sofrimento em sua vida pessoal, mas procura, em sua obra, confrontar medos profundamente enraizados na cultura. Este ano, ela participou do podcast The Artsy para falar sobre seu projeto em NFT e, em 2026, celebrará seus 80 anos com uma exposição individual nas Gallerie dell’Accademia, tornando-se a primeira mulher viva a ocupar esse espaço histórico.


