As primeiras imagens do assalto ao Museu do Louvre, em Paris, divulgadas nesta segunda-feira, mostram a frieza e a precisão com que os criminosos agiram. Disfarçados de funcionários, eles invadiram o museu em plena luz do dia, utilizando um guindaste acoplado a um caminhão para alcançar uma das janelas laterais voltadas ao Rio Sena. O vídeo, que se espalhou rapidamente pelas redes sociais, registra o momento em que o grupo quebra o vidro, força as vitrines da Galeria Apollo, onde ficam expostas as joias de Napoleão III, e foge em menos de dez minutos, levando oito peças de valor histórico incalculável.
Entre os objetos subtraídos está um colar de safiras e diamantes que pertenceu à rainha Maria Amélia da França e foi usado, décadas depois, pela princesa Isabel d’Orléans, bisneta de dom Pedro II e figura de ponte entre as cortes europeias e o Brasil imperial. A presença dessa joia na coleção do Louvre simbolizava um elo raro entre as dinastias francesas e brasileiras. Durante a fuga, parte do tesouro se perdeu: a coroa da imperatriz Eugênia, esposa de Napoleão III, foi encontrada nas imediações do museu, danificada, após cair das mãos dos ladrões.

O colar de safiras e diamantes que pertenceu à rainha Maria Amélia da França e foi usado, décadas depois, pela princesa Isabel d’Orléans. Foto por Sailko, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons.
As autoridades francesas descrevem o episódio como um “golpe duro à imagem da França” e investigam possíveis falhas no sistema de segurança, já criticado em relatórios recentes por sua defasagem tecnológica. O Louvre segue fechado para perícia, enquanto a ministra da Cultura, Rachida Dati, supervisiona os trabalhos de recuperação das peças e o Ministério do Interior rastreia os suspeitos — quatro homens apontados como integrantes de uma quadrilha experiente, responsável por outros furtos de obras de arte na Europa. O assalto, de roteiro quase cinematográfico, expõe não apenas a vulnerabilidade do patrimônio histórico, mas também o fascínio contínuo que a arte e as joias do passado exercem sobre o imaginário contemporâneo.
Veja o vídeo:


