As vendas de arte em leilões no primeiro semestre de 2025 somaram 4,7 bilhões de dólares, registrando uma queda de 8,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Artnet Intelligence Report. Embora a retração seja significativa, ela é menos acentuada que a registrada entre 2023 e 2024, quando a baixa chegou a 28%. O volume de lotes vendidos também recuou levemente, 2,4%, enquanto o preço médio por obra caiu 6,5%, atingindo 24.224 dólares — o menor índice em uma década.
A escassez de grandes obras-primas no mercado ajudou a explicar esse desempenho. Assim como no mesmo período do ano passado, nenhuma peça ultrapassou a marca de 50 milhões de dólares em leilão, e apenas duas foram arrematadas acima de 40 milhões. Três obras alcançaram valores entre 30 e 40 milhões, contra quatro no primeiro semestre de 2024. Nem mesmo o busto Grande tête mince (Grande tête de Diego), de Alberto Giacometti, que chegou ao mercado com estimativa mínima de 70 milhões de dólares na Sotheby’s, encontrou comprador.
O cenário reflete um mercado ainda pressionado por incertezas econômicas globais. Negociações comerciais instáveis, conduzidas pelo governo Donald Trump, têm afetado a confiança de colecionadores e investidores. Em junho, o Banco Mundial reduziu a previsão de crescimento da economia mundial para 2,3% em 2025, citando barreiras comerciais e insegurança nas políticas como fatores determinantes — elementos que também impactam diretamente o apetite dos compradores de arte em leilões de alto nível.


