Três obras do artista em espaços públicos de Londres geraram despesas com remoção, segurança e administração desde 2024.
Banksy transformou a intervenção urbana em uma máquina de atrair público, atenção e, no mercado de arte, milhões de dólares. Em Londres, porém, algumas de suas obras recentes também se converteram em despesas para o poder público. Desde 2024, autoridades britânicas gastaram quase US$ 203 mil (R$ 1.055.600,00) para remover, proteger ou administrar três trabalhos atribuídos ao artista, segundo dados obtidos pela BBC por meio de pedidos de acesso à informação.
O caso mais caro está no Royal Courts of Justice. No ano passado, Banksy pintou na fachada do tribunal um juiz de peruca golpeando um manifestante com um martelo. A remoção já consumiu cerca de US$ 67 mil (R$ 348.400,00) do Ministério da Justiça, além de outros US$ 48 mil (R$ 249.600,00) destinados à segurança e às horas extras de funcionários enquanto o mural permaneceu no local. Depois de tentativas convencionais de limpeza fracassarem, equipes passaram a utilizar tecnologia a laser. Se o procedimento não funcionar, a substituição das pedras atingidas poderá ser necessária.
Para críticos como Nick Timothy, secretário de Justiça do Partido Conservador na oposição, não cabe ao contribuinte pagar pela limpeza de uma obra que ocupa um símbolo nacional ligado ao Estado de Direito. Para os defensores do artista, a equação é outra. Seus trabalhos levam visitantes às ruas e aproximam a arte de pessoas que talvez não frequentem museus ou galerias.
Em abril, o Westminster City Council informou ter desembolsado quase US$ 81 mil (R$ 421.200,00) com barreiras de proteção, segurança e custos administrativos depois que Banksy instalou secretamente uma escultura em Waterloo Place, perto de Trafalgar Square. Como a peça está em terreno público, o próprio conselho tornou-se seu proprietário legal e ainda avalia o destino que dará à obra.
Há também o caso de uma guarita policial transformada por Banksy em uma espécie de aquário, com peixes-piranha pintados em sua estrutura. Em agosto de 2024, a City of London gastou quase US$ 3 mil (R$ 15.600,00) para retirar a peça do espaço público. O destino, desta vez, não foi o descarte. A estrutura foi armazenada e deverá entrar em exposição quando o London Museum reabrir, em novembro. Enquanto isso, a remoção do mural do tribunal segue em andamento, mantendo aberta a conta pública de uma obra que começou como intervenção clandestina.

