Como antecipado em nossa cobertura recente, La Belle Rafaëla (1927), pintura icônica da artista polonesa Tamara de Lempicka, foi a leilão pela Sotheby’s em Londres e teve sua cifra de arremate finalmente revelada. A obra atingiu £7,47 milhões (cerca de US$10,05 milhões), consolidando-se como o lote de maior destaque do leilão de arte moderna e contemporânea realizado no dia 24 de junho. Esta foi a primeira vez, em quatro décadas, que a obra foi disponibilizada ao mercado.
Considerada por especialistas da Sotheby’s como o mais importante trabalho de Lempicka já ofertado em leilão, La Belle Rafaëla é um retrato audacioso e elegante da amante da artista — uma jovem que Lempicka teria conhecido no Bois de Boulogne e imediatamente convidado para posar. A pintura, que apresenta a modelo nua em diagonal luxuosa, iluminada por um feixe dramático de luz superior, desafia a tradição patriarcal do nu feminino ao propor uma nova gramática do desejo — feminina, geométrica e moderna.
Mesmo quase um século após sua criação, a imagem segue arrebatadora: os traços da modelo, seu corte de cabelo em estilo bob e o leve sorriso enigmático nos lábios tornam La Belle Rafaëla não apenas um ícone da art déco, mas também um manifesto visual sobre autonomia e sensualidade. Vendida em 1985 por US$242 mil — então o valor mais alto já pago por uma obra da artista — a peça retorna agora ao protagonismo, em sintonia com o crescente reconhecimento do legado de Tamara de Lempicka no mercado e na história da arte.


