Na Universidade Cornell, em Ithaca, Nova York, uma mostra curiosa e afetuosa celebra os felinos como protagonistas da história da arte e da vida cotidiana. Intitulada Magnum O-Pspsps, a coletiva reúne mais de 40 artistas em um formato de salão e segue aberta até 25 de setembro na Olive Tjaden Gallery. A exposição foi idealizada pelos estudantes de mestrado Michael Morgan e Elina Ansary, que buscaram inspiração tanto em narrativas históricas — como o conto The Pussycat Princess (1922), de Edward Anthony — quanto nas célebres ilustrações antropomorfizadas de Louis Wain, que no século XX ajudaram a transformar os gatos em símbolos de afeto e companheirismo.
As obras em exibição transitam entre pinturas, esculturas e colagens, explorando desde a reverência histórica até a intimidade doméstica entre artistas e seus animais. Muitas criações funcionam como homenagens pessoais a gatos falecidos, como a peça abstrata de Lisa Lebofsky, em alumínio riscado, evocando a pelagem de sua companheira felina. Outras assumem um tom mais lúdico, caso do retrato em colagem de Erika Ranee, adornado com cristais e penas, ou ainda carregam forte simbolismo afetivo, como o tapete de yoga da professora Leeza Meksin, marcado pelas garras de sua gata pouco antes de morrer, transformado em objeto de memória.

Tatiana Tatum, “Meow from the back seat” (2024), óleo sobre tela, vernizes foscos e brilhantes. Foto cortesia do artista.
A mostra também reflete sobre a energia cultural e simbólica associada aos felinos, frequentemente vistos como emblemas de independência, introspecção e criatividade. Para Morgan, que adotou um gato siames durante seus estudos, os animais funcionam como verdadeiras musas silenciosas, inspirando processos artísticos e unindo uma comunidade diversa de criadores. Entre homenagens íntimas, humor irônico e gestos de devoção, Magnum O-Pspsps demonstra como os gatos permanecem, ainda hoje, entre os maiores catalisadores de afetos e narrativas visuais.



