A Sotheby’s inaugurou sua nova sede na Madison Avenue, em Nova York, com uma mistura de luxo, ironia e arte de alto valor simbólico. No centro das atenções está America (2016), o célebre vaso sanitário de ouro maciço criado por Maurizio Cattelan, que pertence ao bilionário Steve Cohen e deve alcançar cerca de US$ 10 milhões em leilão. A peça, de 18 quilates e 223 libras, ganhou fama quando ficou disponível para uso público no Guggenheim — o que não se repetirá desta vez. “Aqui, não se pode sentar sobre a arte”, afirmou Lisa Dennison, presidente da Sotheby’s Americas, durante a apresentação à imprensa.
Instalada no icônico edifício brutalista projetado por Marcel Breuer, adquirido por US$ 100 milhões, a nova sede marca uma nova fase para a casa de leilões. O espaço, reformado pelos arquitetos Herzog & de Meuron, ganhou 30% a mais de área expositiva, um restaurante, jardim de esculturas e salas de exibição privativas. A ideia, segundo o CEO Charles Stewart, é aproximar o público do universo das artes e do luxo: “Queremos que mais pessoas possam acessar, descobrir e até possuir obras de arte”, declarou. Entre os destaques dos próximos leilões estão obras de Klimt, Modigliani, Frida Kahlo, Rothko, Dalí e Kerry James Marshall, além de raridades de design e joalheria, como um colar Van Cleef & Arpels avaliado em meio milhão de dólares.
Aberta gratuitamente ao público, a nova Sotheby’s aposta na fusão entre museu, galeria e loja de luxo. A mudança chega em um momento de retomada cautelosa do mercado de arte, que recuou 12% em 2024, segundo relatório da Art Basel e UBS. Ainda assim, a casa de leilões acredita que o novo endereço, cercado pelas vitrines mais sofisticadas de Manhattan, ajudará a conquistar novos colecionadores e curiosos. Mesmo sem o uso liberado, o trono dourado de Cattelan simboliza bem essa nova era da Sotheby’s: provocativa, extravagante e, acima de tudo, consciente do fascínio que o luxo exerce — mesmo quando o convite é apenas para olhar.



