O célebre vaso sanitário de ouro maciço criado por Maurizio Cattelan, intitulado America (2016), teve um desempenho aquém do esperado no leilão de arte contemporânea realizado pela Sotheby’s em Nova York. A peça, feita em 18 quilates e pesando mais de 100 quilos, foi arrematada por US$ 12,1 milhões, após um momento constrangedor em que a leiloeira tentou, sem sucesso, estimular novas ofertas. Com lance inicial de US$ 10 milhões e apenas um interessado ao telefone, a obra encerrou a noite sem gerar o entusiasmo que tradicionalmente acompanha criações do artista italiano, conhecido por unir ironia e crítica social.
O comprador adquiriu a segunda edição da obra, anteriormente pertencente ao bilionário Steve Cohen, que a comprara em 2017. A peça ganhou notoriedade ao ser instalada nos banheiros do Guggenheim Museum, onde foi utilizada por mais de 100 mil visitantes, e posteriormente enviada ao Palácio de Blenheim, na Inglaterra, de onde foi roubada em 2019 e jamais recuperada. Embora o mercado de arte enfrente um período de retração, o valor do ouro — que aumentou mais de 50% no último ano — aproximou-se do preço final, ressaltando o peso literal e financeiro que sustenta a obra.
O leilão integrou a primeira grande venda da Sotheby’s em sua nova sede no Breuer Building e ocorreu na mesma noite em que Portrait of Elisabeth Lederer, de Gustav Klimt, estabeleceu recordes ao alcançar US$ 236,4 milhões. Entre os demais destaques da sessão estavam obras de Cecily Brown, Kerry James Marshall e Jean-Michel Basquiat. Apesar do desempenho tímido de America, a casa de leilões segue apostando que sua nova localização e a sequência de vendas da semana podem estimular um mercado que encolheu 10% na primeira metade do ano, segundo análise do Bank of America.


