Usina de Arte inaugura novas obras

Rizza, Fóton

A Usina de Arte, combinação de um museu de arte contemporânea ao ar livre instalado em meio a um jardim botânico em Pernambuco, inaugura no sábado, 15 de junho, novos trabalhos artísticos à sua paisagem: “Fóton” da artista Rizza, e “Modulos Espelhados”, de Maria Tereza & Thiago Sobreiro. Veja abaixo textos dos artistas sobre suas obas para o espaço:

FÓTON

Fóton são as partículas que compõem a luz, é neste contexto de investigação dos fenômenos ópticos em que a instalação foi concebida, essas partículas são fundamentais para compreensão da natureza da luz e seu comportamento, tanto na física clássica quanto na física quântica. Segundo a artista:

“A escolha do dourado não é arbitrária. Em minhas pesquisas sobre a relação entre espaço, tempo e luz durante a Idade Média, observei que os artistas frequentemente utilizavam essa cor para representar o divino e o incompreensível. As pinturas medievais faziam uso extensivo dos pigmentos dourados para retratar a luz e os fenômenos além do entendimento comum. Em seguida vem a criação da forma e foi neste trabalho que dou início a utilização da curva, como elemento compositivo. Entre espaços mais densos e vazios, feixes sobrepostos e ângulos mais inclinados, fui construindo uma imagem que aos poucos consegui aprimorar. Dessa forma, compus três aros metálicos arqueados, cada um com um raio distinto, que se entrelaçam em um movimento espiralado. Destes aros emergem pequenos elos dourados, que constroem comprimentos distintos, longilíneos, totalizando 6 km de comprimento. A escolha do material em alumínio, extremamente leve, proporcionou uma suavidade significativa à instalação. Ela se movimenta sutilmente, interagindo não só visualmente com o espaço, mas fisicamente. Acredito que a dimensão e velocidade a qual me refiro anteriormente ao falar da luz, se reflete na fluidez do material. A forma dinâmica da instalação se revela de maneiras distintas conforme o observador se move pelo espaço. ‘Fóton’ representa novos caminhos na minha pesquisa estética, ao mesmo tempo que reforça a tríade óptica que fundamenta todo o meu trabalho: luz, observador e ambiente. Mais do que um estudo sobre a natureza da luz, “Fóton” convida ativamente o público a participar. Cada movimento, cada mudança de perspectiva, contribui para uma apreciação mais profunda e abrangente desta instalação, enriquecendo a experiência estética e promovendo uma compreensão mais elaborada das interações entre luz, forma e espaço”, afirma Rizza.

Módulos espelhados

A proposta de uma cidade modular, representada por formas geométricas, é uma possibilidade de perceber a viabilidade de interação que se sobrepõem à arte na cidade. Para além da cidade como um suporte, foi projetada  uma possibilidade real de interação e de criação do transeunte de um lugar a partir de um mobiliário urbano que tem como seu objetivo a interação entre obra e espectador, apreensão da cidade como território de aprendizagem estética e atravessamentos estésicos. Se cada um constrói sua experiência, se cada experiência é única a depender da relação desse sujeito com o espaço e suas referências de mundo, acreditamos que experienciar um objeto que insere o ambiente em sua forma, assim como insere o sujeito ao mesmo tempo (por meio do reflexo) unido as imagens do espaço, sujeito e estrutura física da obra, a obra Módulos Espelhados atribui significação ao trânsito, ainda que esse visitante não deseje sentar-se, andar, tocar o mobiliário.

Para Maria Tereza, a nova instalação da obra é uma nova abertura de diálogo: em outra região com outra formação geográfica e paisagística, a obra ganha uma possibilidade outra de ser vista e se dar a ver para as pessoas que agora irão interagir com ela. Estar inserida na coleção de obras da Usina de arte, é também motivador, pelo entendimento das discussões fundamentais decorrentes de obras como “Tinha que acontecer (Cabeça de bandeirante)” de Flávio Cerqueira, Tempo Templo, Tempo Templo” de Bené Fonteles, “Tempus Fluvium” de José Rufino, “Eremitério Tropical” de Márcio Almeida, entre tantas outras.

Thiago Sobreiro afirma que a obra abre margem para um diálogo direto entre o público e o meio ambiente, tornando os três (obra, público e meio ambiente), uma obra única e efêmera que se constrói a cada momento do dia e por quem está sendo vista e refletida. O contato direto com a obra através dos bancos faz com que cada um participe da obra de forma reflexiva em um momento de descanso.

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