O Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que o escultor Alma Allen, nascido em Utah e radicado no México, representará o país na Bienal de Veneza de 2026. A escolha, anunciada após um processo de seleção turbulento, reflete o momento de reconfiguração ideológica das políticas culturais sob o governo Trump. Para esta edição, as diretrizes reforçam que as propostas devem “promover valores americanos” por meio de obras inovadoras, sinalizando um alinhamento estético e simbólico que será observado atentamente quando a mostra abrir em maio do próximo ano, diante de curadores, colecionadores e jornalistas de todo o mundo.
Autodidata de trajetória singular, Allen construiu carreira a partir de esculturas abstratas de formas biomórficas, que transitam entre referências marinhas e elementos da paisagem natural. Com passagens marcantes por instituições como a Whitney Biennial e exposições individuais no Palm Springs Art Museum e no Museo Anahuacalli, o artista domina um amplo repertório técnico que combina entalhes manuais e produção assistida por tecnologia. Seus materiais — bronze sinuoso, madeira Parota, obsidiana, estalagmites e mármore de Orizaba — reforçam um vocabulário escultórico que privilegia massa e monumentalidade, características que dialogam diretamente com a estética valorizada pelo atual governo. Ainda assim, sua indicação não passou incólume: galerias que o representavam, como Mendes Wood DM e Olney Gleason, romperam relações após sua decisão de aceitar o convite.
Com curadoria de Jeffrey Uslip e comissionada por Jenni Pardo, fundadora da American Arts Conservancy alinhada à Casa Branca, a exposição do Pavilhão dos Estados Unidos levará o título Alma Allen: Call Me the Breeze. Serão cerca de 30 esculturas, incluindo obras concebidas para dialogar diretamente com o espaço expositivo e o pátio externo, explorando a noção de “elevação” como gesto formal e metáfora de otimismo coletivo. A seleção de Allen encerra um ciclo de incertezas marcado por atrasos administrativos, mudanças nas regras federais e disputas envolvendo propostas concorrentes. Com sua participação agora confirmada, o artista afirma ver suas esculturas como entidades em movimento contínuo, “parte de um universo muito maior”, enquanto o governo aposta na narrativa de que Allen representa “o melhor e o mais brilhante” dos Estados Unidos.


