VENDA DA COLEÇÃO LAUDER PELA SOTHEBY’S SUPERA US$ 700 MILHÕES E ESTABELECE NOVO RECORDE PARA KLIMT
POR LIEGE GONZALEZ JUNG
As semanas que antecederam a temporada de leilões de novembro foram marcadas por expectativas incertas. Após dois anos de resultados mornos, as grandes casas internacionais conseguiram reunir lotes de peso — entre eles, as coleções do finado magnata dos cosméticos Leonard Lauder e do fundador da rede Hyatt, Jay Pritzker — aumentando o otimismo do mercado. Ainda assim, muitos previam forte disputa apenas por obras-primas, com baixa demanda para o restante.
Mas o que se viu foi o contrário. A venda de Arte do Século 20 da Christie’s, realizada em 17 de novembro, alcançou US$ 690 milhões, impulsionada por um óleo de Mark Rothko, vendido por US$ 62,1 milhões, e por um novo recorde para a surrealista Leonor Fini, cuja obra Dans la tour (1952) foi arrematada por US$ 2,5 milhões.
No dia seguinte, 18 de novembro, a aguardada venda do retrato Elizabeth Lauderer, de Gustav Klimt, atingiu US$ 236,4 milhões, tornando-se a segunda pintura mais cara já vendida, atrás apenas do controverso Salvator Mundi, atribuído a Leonardo da Vinci, comprado por mais de meio bilhão de dólares em 2017.
Para os brasileiros, a maior surpresa veio do leilão Now and Contemporary, da Sotheby’s: uma pintura de Antonio Obá alcançou US$ 1 milhão. Com mostra em cartaz na galeria Mendes Wood, o artista nascido em 1983 vem ganhando reconhecimento no Brasil e fora, com participação na Bienal de Liverpool e individuais na Pina Contemporânea e CCBB (veja matéria da Dasartes). Ainda assim, é surpreendente que esta obra alcance um valor tantas vezes superior ao de outras obras suas vendidas em leilão e muito superior ao de outros expoentes internacionais da arte negra, como Kara Walker, que teve individuais na Tate e MoMA, ou Kehinde Wiley, que antes de ser cancelado por acusações de assédio esteve no topo, selecionado para pintar o retrato oficial de Barack Obama. Muito tem se especulado nos bastidores do mercado sobre como este resultado foi alcançado. Ao final da temporada de leilões, publicarei um novo texto mais completo e voltarei a este assunto com mais informações.
Ainda é cedo para conclusões definitivas. Os importantes leilões de Arte Contemporânea, marcados para os dias 20 e 21, costumam ser o palco das maiores surpresas da temporada. Por ora, o que se comprova é que não faltam compradores dispostos a pagar alto por obras de qualidade, mesmo quando os preços superam as expectativas iniciais.





