Casa de leilões é acusada de reter verba de corretora após venda milionária de sua antiga sede em NY
A Sotheby’s acaba de entrar na mira da Justiça. A tradicional casa de leilões foi processada pela corretora Cushman & Wakefield, que alega não ter recebido uma comissão de US$ 10,2 milhões, valor atrelado à venda da antiga sede da própria Sotheby’s em Nova York, negociada por impressionantes US$ 510 milhões.
A ação, protocolada em 9 de abril na Suprema Corte do Estado de Nova York, gira em torno da transação que transferiu o icônico imóvel da avenida York, de número 1334, para o Weill Cornell Medicine, centro médico ligado à universidade. A Cushman afirma ter ajudado a garantir o local como inquilino do edifício ainda em 2023, movimento que, segundo a corretora, “abriu o caminho” para a venda definitiva dois anos depois e lhe garantiria o direito contratual a uma comissão de 2%. Acontece que, de acordo com a ação, a Sotheby’s simplesmente se recusou a pagar. A casa de leilões, pressionada financeiramente, teria preferido reter os valores. Procurada pela reportagem, a empresa rebateu por meio de seu porta-voz: “O processo é infundado e completamente sem mérito. Vamos nos defender vigorosamente no tribunal e estamos confiantes de que, quando os fatos vierem à tona, seremos inocentados.”
O processo, no entanto, chega em um momento delicado. Como revelou o Financial Times nesta semana, a Sotheby’s vem oferecendo a vendedores uma taxa de juros de cerca de 7% para que eles aceitem postergar recebíveis — uma estratégia batizada de “prazos estendidos de liquidação”, adotada em 2025 para administrar uma crise de caixa. Em 2024, a casa de leilões amargou um prejuízo de US$ 248 milhões antes dos impostos e carregava mais de US$ 1 bilhão em valores a pagar a clientes, mesmo tendo registrado vendas totais de US$ 7,1 bilhões em 2025. A Cushman ainda alega ter sido mantida no escuro sobre o andamento do negócio, tomando conhecimento da venda apenas por meio de reportagens. Na petição, a corretora acusa a Sotheby’s de interferir em seus direitos contratuais e de lhe sugar a comissão devida.
O edifício da avenida York, por sinal, carrega uma história de idas e vindas que espelha as oscilações da própria casa. A Sotheby’s comprou o imóvel em 1980, vendeu-o em 2002 sob aperto financeiro e o readquiriu em 2009. Mais recentemente, a empresa transferiu suas operações para o Queens e mudou sua sede para o icônico Breuer Building, numa reconfiguração estratégica de seu patrimônio.


