Sesc São Paulo apresenta versão online da 15ª Bienal Naïfs do Brasil

A 15ª Bienal Naïfs do Brasil, em cartaz no Sesc Piracicaba, acaba de ganhar uma versão digital em 360°. O tour virtual reúne 250 imagens das obras que compõem a exposição e traz uma experiência imersiva , que leva o público para perto das obras proporcionando ângulos e perspectivas distintas dos trabalhos, e também uma experiência expansiva , com dinâmica semelhante ao Google Street View, possibilitando uma visita que começa na fachada do Sesc Piracicaba e prossegue por seu espaço expositivo.

A 15ª Bienal Näifs reúne 125 artistas de 21 estados do país, além do Distrito Federal. Com curadoria de Ana Avelar e Renata Felinto, seu tema é Ideias para adiar o fim da arte – uma referência direta ao pensamento do líder indígena, ambientalista e escritor brasileiro Ailton Krenak e do filósofo e crítico de arte americano Arthur Danto.

A exposição traz 252 obras em suportes diversos. São instalações, pinturas, desenhos, colagens, gravuras, esculturas, bordados, marcheteria e entalhes. Em diálogo com o corpo expositivo, as artistas Carmela Pereira, Leda Catunda, Raquel Trindade e Sonia Gomes integram a mostra a convite das curadoras.

Ana Mae Barbosa e Lélia Coelho Frota, mulheres intelectuais brasileiras que demonstraram em suas pesquisas a preocupação e o cuidado com o entendimento da pessoa artista e de sua produção de forma mais humana e plural, também são reverenciadas no processo curatorial desta 15ª edição da Bienal.

Cotidiano II, 2019, Alexandra Adamoli | Foto de Isabella Matheus

HISTÓRICO DA BIENAL

Realizada pelo Sesc São Paulo em Piracicaba desde o início da década de 1990, a Bienal Naïfs é um convite para o público refletir sobre os fazeres populares inventados por artistas. Nesta 15ª edição, a partir do título Ideias para adiar o fim da arte, a mostra traz discussões sobre temas como meio ambiente; o feminino como força social, como divindade e como figura do sagrado; as violências estruturais históricas; os espaços de coletividade e sociabilidade em ritos, festas e cerimônias; e o debate sobre objetualidade e utilidade.

Segundo Danilo Santos de Miranda, Diretor Regional do Sesc São Paulo, “a longeva relação do Sesc com esse universo, que antecede à realização das Bienais Naïfs do Brasil, está ligada ao reconhecimento de que a arte popular merece um espaço condizente com sua relevância. Além disso, essa trajetória colaborou para que a própria instituição alargasse seus horizontes e sua compreensão sobre ação cultural, evidenciando as conexões entre cultura, democracia e cidadania. Cada nova edição impõe desafios sintonizados com contextos cambiantes e suas urgentes questões. Pois o presente é caleidoscópio de temporalidades, onde passados e futuros são disputados – e a arte é uma das principais expressões dessa tão humana condição”.

O martírio de Nossa Senhora do Brasil, 2018, Shila Joaquim | Foto de Isabella Matheus

A CURADORIA

A partir da seleção feita pelas curadoras Ana Avelar e Renata Felinto – foram inscritas 980 obras, de 520 artistas com idades entre 19 e 87 anos – surgiram eixos temáticos, plurais e diversos, que compõem a mostra. O processo de seleção de trabalhos partiu do critério da representatividade e considerou as regiões de onde provêm e atuam esses artistas, suas declarações étnico-raciais, faixas etárias, os assuntos e as materialidades com as quais trabalham.
“Saltam aos olhos assuntos da maior relevância na imprensa hoje, como é o caso da questão premente da conservação ambiental, em particular no que diz respeito ao desmatamento na Amazônia, tema que há décadas ocupa o centro da política nacional, com negociações frequentes entre governos e órgãos internacionais, acionando avanços e retrocessos no debate ambiental. É também visível a associação da figura feminina à natureza, frequentemente como divindade. Nesse sentido, surgem imagens do sagrado e do fantástico, muitas vezes num amálgama sincrético de linguagens e religiões. As mulheres, aliás, são protagonistas de umas tantas cenas para além dessas fantásticas”, explica Ana Avelar.

“Nosso desejo durante a seleção foi de contemplar várias humanidades, que é a multiplicidade de cores. Nós temos, por exemplo, um grande número de pessoas não brancas participando dessa exposição, e isso é necessário porque é preciso equilibrar dentro das exposições, o número de participantes, as origens, as complexidades das pessoas humanas participantes de acordo com a complexidade da população constitucional brasileira. Temos um grande número de pessoas de povos originários e de pessoas que são consideradas também pretas, ou negras e pardas, de acordo com as categorias oficiais. E isso é muito estimulante porque foi a nossa tentativa de apresentar, na Bienal Näifs do Brasil, uma pluralidade do povo brasileiro”, ressalta Renata Felinto .

A ênfase desta 15ª edição da Bienal Naïfs numa crescente representatividade geográfica, étnico-racial, etária e de gênero, entre outros marcadores sociais, é, segundo a curadoria, uma maneira de estar à altura desse panorama. Os artistas naïfs constituem parte importante de tal questionamento, expandindo e relativizando os pontos de vista presentes na arte, campo tradicionalmente atrelado a distinções de classe. Maior diversidade de vozes e, portanto, de formas e cores, de assuntos e aproximações.
Compartilhar:
Notícias - 07/12/2021

Culturas Indígenas e Favelas são temas de novos museus de São Paulo

O Governador João Doria anunciou nesta segunda-feira (6) um investimento total de R﹩ 40 milhões para ampliação do Museu da …

Notícias - 06/12/2021

Começam as as obras de ampliação da Pinacoteca de São Paulo

O Governo de São Paulo anunciou, nesta terça-feira (23), o início das obras da Pinacoteca Contemporânea, o novo prédio …

Notícias - 03/12/2021

Jeff Koons e Cicciolina voltam aos holofotes

Um artista que fez a escultura de uma serpente enrolada em uma pedra para a estrela do cinema adulto italiano …

Notícias - 03/12/2021

Lista de mais poderosos da arte contemporânea traz líder surpreendente

ERC-721, a especificação para o “token não fungível” na rede Ethereum, está em primeiro lugar no ranking anual dos mais …

Notícias - 02/12/2021

Fotografiska pretende se tornar o maior museu privado do mundo

Fotografiska, o museu sueco com fins lucrativos, está adicionando três novos locais à sua lista de unidades já existentes: além …

Notícias - 01/12/2021

Restauro de obras de arte do Metrô de São Paulo vira documentário

Em curso desde 2019 e com as primeiras etapas registradas em um documentário disponível no YouTube com aproximadamente …

Notícias - 01/12/2021

Obra icônica de Banksy vai a leilão pela Bolsa de Arte SP

Pela primeira vez, uma obra de Banksy irá a leilão na América Latina – no dia 10 de fevereiro, na …

Notícias - 30/11/2021

Inhotim recebe o Museu de Arte Negra idealizado por Abdias Nascimento

Poeta, escritor, dramaturgo, curador, artista plástico, professor universitário, pan-africanista e parlamentar, Abdias Nascimento (1914-2011), indicado oficialmente ao prêmio Nobel da …

Notícias - 30/11/2021

Museu Judaico de São Paulo é inaugurado

A partir do dia 5 de dezembro de 2021, abre para visitação o Museu Judaico de São Paulo (MUJ), espaço …

Notícias - 29/11/2021

Festival de performances abre convocatória

Festival Atos de Fala completa 10 anos e sua sexta edição – que acontece de 19 de janeiro a 02 …

Notícias - 29/11/2021

Prêmio Arcanjo de Cultura divulga indicados e retoma cerimônia presencial

Valorizar e premiar nossa cultura e seus artistas em tempos tão difíceis é a missão do Prêmio Arcanjo de Cultura, …

Notícias - 26/11/2021

Steve McCurry e a resiliência da infância em fotos

De meninas enfrentando o Mar de Sulu a crianças em idade escolar no Afeganistão, no novo livro Stories and Dreams …