Quatro anos após ter quebrado recordes em leilão com o autorretrato Diego y yo (1949), Frida Kahlo pode voltar a marcar a história do mercado de arte. A pintura El sueño (La cama), realizada em 1940, será leiloada em 8 de novembro pela Sotheby’s em Nova York, com estimativa entre US$ 40 milhões e US$ 60 milhões. O valor não apenas superaria o recorde latino-americano, mas também poderia estabelecer um novo marco para uma obra de artista mulher em leilão, atualmente pertencente a Georgia O’Keeffe, cuja tela Jimson Weed/White Flower No. 1 alcançou US$ 44 milhões em 2014.
A obra integra a venda Exquisite Corpus: Surrealist Treasures from a Private Collection, primeira grande sessão de leilões que a Sotheby’s realiza em sua nova sede no edifício Breuer, em Manhattan. O conjunto reúne 80 obras, incluindo peças de Salvador Dalí e René Magritte, mas é o quadro de Kahlo que concentra as maiores expectativas. A composição mostra a artista deitada em uma cama de dossel suspensa em um céu enevoado, enquanto acima dela repousa um esqueleto enfaixado em explosivos e flores — imagem de forte simbolismo sobre a mortalidade, tema recorrente na produção da pintora mexicana.
Produzida no mesmo ano em que Kahlo se reconciliou com Diego Rivera após uma crise conjugal, El sueño (La cama) é considerada um dos exemplos mais expressivos de sua vertente surrealista. Antes do leilão em Nova York, a pintura fará escala em Londres, Abu Dhabi, Hong Kong e Paris, em um giro internacional que demonstra seu peso histórico e cultural. Para especialistas, a obra condensa a força poética e simbólica de Frida Kahlo, cuja vida atravessada por dores pessoais e paixão artística continua a inspirar o público em escala global.


