Segunda edição do SP-Arte Viewing Room reúne artistas expoentes e novos talentos

Emerson Munduruku, Série: "Elementar Rio Negro", 2018 | ©️ Ricardo Oliveira / C.Galeira

Fomentar a produção artística nacional e movimentar o mercado de arte por meio de uma plataforma funcional, dinâmica e contemporânea. Este é o objetivo do SP-Arte Viewing Room, evento online que acontece entre os dias 9 e 13 de junho no site da SP-Arte (https://www.sp-arte.com), com participação de mais de 115 expositores – galerias de arte e design expoentes no mercado nacional, editoras e projetos artísticos independentes.

Segundo Fernanda Feitosa, diretora e fundadora da SP-Arte, o virtual chegou para ficar. “O avanço do digital é inegável e irreversível. As plataformas digitais irão, cada vez mais, potencializar o alcance do mercado como um todo, abrindo ainda mais as portas para o cenário internacional ou mesmo aproximando novos colecionadores, que se sintam mais à vontade no ambiente online. O digital, é claro, não substitui o contato físico, a sensação de ver uma obra presencialmente, mas traz uma experiência que pode ser um complemento à experiência presencial”, afirma.

Durante os cinco dias do evento, o público poderá conferir fotografias, vídeos, pinturas e trabalhos em diferentes suportes de artistas representados por casas como Almeida e Dale (São Paulo), Artespacio (Santiago), Bergamin & Gomide (São Paulo), Mendes Wood DM (São Paulo, NY, Bruxelas), Casa Triângulo (São Paulo), Fortes D’Aloia & Gabriel (São Paulo, Rio de Janeiro), Jaqueline Martins (São Paulo, Bruxelas), Leme (São Paulo), Luciana Brito (São Paulo), Luisa Strina (São Paulo), Nara Roesler (São Paulo, Rio de Janeiro, NY), Kogan Amaro (São Paulo, Zurique) e Vermelho (São Paulo), galerias de design como a ,Ovo (São Paulo), Ana Neute (São Paulo), Alva (São Paulo), Etel (São Paulo), Jacqueline Terpins (São Paulo), e projetos independentes como 01.01 Art Platform (São Paulo) e Nacional TROVOA (São Paulo).

Na página de cada galeria, o visitante poderá percorrer um projeto expositivo com até 20 obras de um ou mais artistas. O público poderá conferir as obras por meio de vídeos e áudios que criam uma narrativa única em torno da exposição digital, enriquecendo a experiência do usuário. Caso haja o interesse por algum trabalho disponível no site, apenas um clique em “Contactar galeria” já permite que o expositor e o potencial comprador iniciem uma conversa, por meio de um chat da plataforma, Whatsapp ou e-mail. “A transparência de valores, diferencial do formato Viewing Room, ajuda a desmistificar questões sobre o mercado de arte e também a promover uma revolução no setor”, diz Feitosa.

 

Bernard Pras, “Dora”, 2019 | © Sergio Gonçalves Galeria

ARTE

Principal feira de arte da América Latina, a SP-Arte reúne anualmente as galerias mais influentes do circuito das artes, bem como jovens expositores, que, muitas vezes, se estabelecem no mercado ao participarem do evento. Em seu formato Viewing Room, a feira traz casas do circuito das artes nacional e internacional, bem como coletivos e projetos artísticos independentes. A Mendes Wood DM (São Paulo, Bruxelas) retorna à edição virtual da Feira com duas forças criativas, Solange Pessoa e Kishio Suga, que em diferentes períodos exploram questões sobre origem, tempo, pertencimento, história e, acima de tudo, os limites a serem ultrapassados no estudo de materiais.

A Bergamin & Gomide (São Paulo), veterana na Feira física, apresenta no Viewing Room um projeto de obras de natureza-morta, com artistas históricos e contemporâneos representados pela galeria, entre eles Wilma Martins, Glauco Rodrigues, Amadeo Luciano Lorenzato e Amélia Toledo .

Dialogando com o momento político, econômico e social atual, a Galeria Lume (São Paulo) traz a exposição coletiva Real FAKE, um manifesto contra todas as mentiras noticiosas, que pretende honrar a fantasia poética e mostrar que é possível encontrar na imaginação e na arte estímulo para pensar um mundo mais sensato. A obra da artista representada pela Galeria, Maré de Matos, aborda de forma ampla o tema do projeto.

Com a temática de corpo, gênero e sexualidade, a C.galeria (Rio de Janeiro) reúne obras de Élle de Bernardini, Émerson Uýra e Rafael Bqueer. Destaque para Émerson Uýra, descendente de indígenas, nascido na Amazônia brasileira, e biólogo, participa da 34ª edição da Bienal de São Paulo com sua versão drag queenUýra Sodoma, que ensina sobre a preservação do meio ambiente.

Rafael Bqueer, Pintura neon sobre paisagem, 2020 | © Diego Martins/ C.Galeria

A Galeria Jaqueline Martins (São Paulo, Bruxelas) traz obras inéditas dos artistas Ana Mazzei, Adriano Amaral, Daniel de Paula e Pedro França. O artista Daniel de Paula também integra a exposição coletiva “Faz escuro mas eu canto” da Bienal de São Paulo.

A Galeria Nara Roesler (São Paulo, Rio de Janeiro, NY) apresenta uma seleção exclusiva de trabalhos do artista cubano Marco A. Castillo. Simultaneamente, será apresentada na Nara Roesler São Paulo a primeira individual de Castillo no Brasil. A mostra é um desdobramento de seu icônico projeto The Decorator’s Home, apresentado na 13ª Bienal de Havana (2018).

Também assídua na Feira presencial, a Paulo Darzé Galeria (Salvador) apresenta uma mostra coletiva virtual com 20 obras inéditas e recentes dos seus artistas representados, além de trabalhos de seu acervo. O estande virtual da Galeria apresenta obras de Nadia Taquary, em cartaz na exposição atual da Pinacoteca de São Paulo e reproduzidas no livro Enciclopédia Negra, de Flávio Gomes, Jaime Lauriano e Lilia Schwarcz.

Fortes D’Aloia & Gabriel (São Paulo, Rio de Janeiro) ocupa sua nova área dedicada à demonstração de obras com uma seleção de trabalhos recentes de Barrão, Beatriz Milhazes, Cristiano Lenhardt, Efrain Almeida, Erika Verzutti, Ernesto Neto, Gokula Stoffel, Iran do Espírito Santo, Ivens Machado, Jac Leirner, Janaina Tschäpe, Leda Catunda, Marina Rheingantz, Mauro Restiffe, Nuno Ramos, Rodrigo Cass, Rodrigo Matheus, Sara Ramo, Sergej Jensen, Simon Evans, Tiago Carneiro da Cunha e Valeska Soares. A montagem expositiva do Galpão é um convite para uma experiência física da arte no espaço, reaberto após reforma.

Lançando luz sobre o artista paulista José Antônio da Silva, a Galeria Estação (São Paulo) apresenta ‘Paisagem e Cultura’, uma exposição que consiste em uma seleção de 12 pinturas que abrangem a trajetória do artista entre os anos 1950 e 1970, com destaque para as paisagens e cenas do cotidiano, como vaqueiros pastoreando vacas, cenas de cidade, a forma como as árvores eram cortadas para limpar uma vasta área para plantações, ou trens que circulavam na paisagem.

Reivindicando a ocupação da representatividade feminina nos espaços, a Desapê expõe no Viewing Room um projeto de mulheres fotógrafas que voltaram suas lentes para exercerem seus direitos, se apoiarem, pedirem socorro e resistirem. A iniciativa conta com grandes nomes internacionais como Nan Goldin, Sally Mann, Marina Abramović e Graciela Sacco. Durante a Feira será lançada a Coleção Pela Vida das Mulheres, uma edição limitada de 10 caixas com fotografias assinadas por 23 artistas, realizada pelo coletivo ativista e feminista Milhas Pela Vida das Mulheres em apoio à luta para o aborto legal e seguro no Brasil.

“Aqui te chamo y mantenho” é o nome da exposição apresentada pela HOA (São Paulo) durante o Viewing Room, com uma seleção de trabalhos que questionam a onipresença do indivíduo ancestral nas experiências contemporâneas dissidentes, seja por meio de alicerces espirituais, digitais, históricos, sensíveis ou documentais. Atenta às tendências de mercado, a galeria HOA oferece a possibilidade de adquirir as obras em NFT, por meio da moeda Tezos, uma criptomoeda ecológica em ascensão com baixo consumo de energia.

A tradicional Galeria Steiner (São Paulo) aposta em um projeto expositivo com foco em arte contemporânea e moderna, nacional e internacional. Grandes nomes integram a exibição virtual, entre eles Adriana Varejão, José Leonilson, Franz Kracjberg, Antonio Dias, Sergio Camargo, Mira Schendel, Tunga, Franz Weissmann, Iberê Camargo e Willys de Castro.

A galeria Silvia Cintra + Box 4 (Rio de Janeiro) traz para a feira virtual pinturas, esculturas, desenhos e fotografias produzidas nos últimos anos, que ilustram o atual panorama da arte contemporânea brasileira. Sebastião Salgado, Amilcar de Castro, Omar Salomão e Ana Maria Tavares são alguns dos nomes que terão suas obras disponibilizadas.

Marcelo Kovalev, From Russia With Love, 2020 | © Sergio Gonçalves Galeria

ESTREANTES

Nesta edição, o SP-Arte Viewing Room recebe novos expositores, projetos como O Pequeno Colecionador, grupo formado por Artur Lescher, Mariane Klettenhofer e Paula Azevedo com a proposta de pensar sobre a arte e a experiência do brincar em suas diversas formas, histórias e culturas. Na feira, apresentam um projeto expositivo com obras de Albano Afonso, Alexandre Mazza, André Komatsu, Cadu, Gisela Motta, Hilal Sami, Ícaro Lira, Irmãos Campana, Julio Villani, Laura Vinci, Leda Catunda, Lenora de Barros, Marcelo Cipis, Marcia de Moraes, Marcia Xavier, Marcius Galan, Marina Rheingantz e Lucas Fazzio, Nazareno Rodrigues, Roberto Stelzer e Stela Barbieri.

A galeria carioca Quadra marca presença com a exposição Brisa, que reúne a produção recente de jovens pintores: Ana Cláudia Almeida, Elvis Almeida, Flora Rebollo, Guilherme Ginane, Marcelo Pacheco, Matheus Chiaratti, Thomaz Rosa e Yasmin Guimarães. A ideia é trazer um deslocamento além da ponte aérea e propor um escape pictórico, uma aba despretensiosa e intuitiva para aliviar e renovar as energias de um cotidiano pesado.

Também estreando no evento, a Carmo Johnson Projects apresenta obras de Bruno Novelli e do Mahku. O primeiro, cria com precisão aliada a uma multiplicidade de referências e dá origem a uma espécie de colagem pintada. Animais reais e irreais, arquétipos e mitos, plantas e pedras, figuras icônicas e paisagens surreais. Enquanto Mahku traduz e “coloca no sentido” os cantos Huni Meka, que integram alguns rituais com nixi pae (ayahuasca). Suas pinturas, por sua vez, operam como agentes conectores com o mundo não-indígena.

O designer Alex Rocca cria artesanalmente tapeçarias feitas com matérias primas naturais, fios e fibras como a lã e o sisal. Sensoriais e tridimensionais, suas peças instigam o olhar pelo equilíbrio estético das formas e padrões e estimulam o toque através dos diferentes volumes e texturas. Alex Rocca explora livremente as cores, o jogo de luzes e sombras, espaços vazios e cheios, elementos orgânicos e linhas geométricas.

Sob o tema Passagem, a Yankatu, da designer Maria Fernanda Paes, traz um projeto expositivo que convida o público a trilhar o caminho da artista, percebendo a metamorfose dos seus passos, que se iniciaram no design à frente da marca e hoje se entregam completamente à arte.

DESIGN

Na SP-Arte, desde a criação do setor Design em 2016, ambos os segmentos têm espaço para se manifestarem nas mais variadas formas, convivendo com ainda mais proximidade.

A partir da instalação Tempo, exposta na SP-Arte de 2019, um paralelo é feito entre este trabalho e uma seleção de peças de design de Jacqueline Terpins para o Viewing Room. Impermanência, reflexo e fluidez são enquadramentos temáticos extraídos da observação e sensações causadas pelas obras de mobiliário e objetos de Jacqueline. O Aparador Cello e o Painel Epicentro se destacam como representantes de cada um dos fenômenos.
A ,ovo apresenta a cadeira infantil da Linha Obi, primeira criação dos designers Luciana Martins e Gerson de Oliveira para crianças, e lança a cadeira Paralelas, descendente da poltrona que leva o mesmo nome. O estúdio ainda abre espaço para as designers convidadas Ana Neute e Mel Kawahara, que apresentarão prévias dos seus próximos lançamentos, linha Solo e série Prumo, respectivamente.

A partir de um estudo sobre a formação das rochas e, nelas, as transformações causadas pela natureza e pelo tempo, Noemi Saga Atelier apresenta a peça Iceberg e a mesa Crystal.

Sob a indagação “Qual é a terra que está sob os seus pés?”, a designer Ana Neute deu vida à coleção Solo em taipa de pilão e madeira. Elemento universal, a terra é base para as árvores, os minerais e os metais. O uso da taipa, técnica milenar de comprimir a terra com golpes de pilão, tem sido retomado na arquitetura. E como seria o seu uso no mobiliário? Foram diversas experiências com o apoio de Fernando Ogando, da Artesania, para a composição coesa dos blocos em taipa. Escolher o solo, peneirar e pilar são algumas das etapas para sua construção. Somada a uma concisa marcenaria em Cedro, Imbuia e Freijó, a coleção Solo é composta por castiçais, mancebo, mesas de apoio e vaso.

A arquiteta e designer Candida Tabet apresenta Mesa Serpentina, obra com desenho atemporal em conjunto de curvas que remetem o desenrolar harmônico do acessório carnavalesco: o rolo de serpentina. O conjunto está distribuído para acomodar um tampo de forma surpreendente, semelhante a letra ‘S’ alongada, sustentado por 3 pés.

GALLERY WEEK

Em parceria com a Abact (Associação Brasileira de Arte Contemporânea), a SP-Arte promove entre os dias 8 a 12 de junho, concomitante ao evento online, o Gallery Week.
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