Paris volta a ser palco da arte contemporânea com a nova edição da Art Basel Paris, que acontece entre 24 e 26 de outubro, espalhando instalações monumentais por alguns dos endereços mais emblemáticos da cidade. Entre elas, o destaque absoluto é o sapo Caco (Kermit the Frog), inflável de Alex Da Corte, instalado na Place Vendôme. A escultura, que parece fazer a posição de “cachorro olhando para baixo”, foi inspirada no colapso do balão do personagem durante o desfile de Ação de Graças de 1991, em Nova York. Meio murcho, meio flutuante, o Caco de Da Corte alterna entre vulnerabilidade e resistência — uma metáfora delicada sobre fragilidade e resiliência em tempos incertos.

Vojtěch Kovařík, Atlas calming the troubled world, 2025. Foto cortesia do artista e da Galerie Derouillon.
Outro ponto de destaque é a monumental escultura Atlas Calming the Troubled World (2025), do tcheco Vojtěch Kovařík, instalada na Avenue Winston Churchill, que liga o Petit e o Grand Palais. Fundido em bronze, o titã grego abraça o globo em gesto de ternura, em vez de ser esmagado por ele — uma inversão simbólica que transforma a força mítica em empatia humana. A obra reflete sobre o peso das crises globais e o papel da compaixão em um mundo fragmentado.

Julius von Bismarck, The Elephant in the Room, 2023. Foto cortesia do artista; Alexander Levy, Berlin; e Sies + Höke, Düsseldorf.
Além dessas peças centrais, a programação pública da Art Basel se espalha por outros locais, como o Hôtel de la Marine, onde o artista Joël Andrianomearisoa apresenta um poético painel têxtil, e o Petit Palais, que abriga a instalação crítica do alemão Julius von Bismarck. Ao unir esculturas monumentais, performances e intervenções urbanas, a Art Basel Paris confirma a vocação da cidade para o diálogo entre arte, política e imaginação e, neste outono, o coração de Paris parece pulsar ao ritmo das suas obras gigantes.


