Revista Zum do IMS lança edição digital e impressa com programação de lives

Berna Reale, Ginástica da pele

Berna Reale, Ginástica da pele

Foto: Berna Reale, Ginástica de pele (2019). © Berna Reale/ Divulgação Revista ZUM.

A ZUM, revista de fotografia do Instituto Moreira Salles, lança sua 18ª edição. A revista já está à venda nas livrarias e na loja virtual do IMS. Em edição especial, a publicação conta com 200 páginas (16 páginas a mais que as edições normais), reforçando a importância do formato impresso.
Diante das restrições de circulação impostas pela atual pandemia, o conteúdo integral da revista também estará disponível online, de forma gratuita, no site da ZUM.

Por ocasião do lançamento, a revista preparou quatro lives gratuitas com autores da edição. Todos os eventos serão transmitidos ao vivo no canal de YouTube da ZUM. Veja a programação:

– 5 de agosto (quarta-feira), às 18h, a artista Ventura Profana, que assina a capa da edição, explica suas fotomontagens ousadas e políticas.
– 12 de agosto (quarta-feira), às 18h, a artista Berna Reale conversa sobre suas performances que abordam a violência do Estado, com a participação de Marisa Mokarzel, professora da Universidade Federal do Pará.
– 19 de agosto, (quarta-feira), às 18h, a crítica de arte Veronica Stigger ministra aula aberta sobre as colagens dos cadernos de Hudinilson Jr.

Esta edição traz ensaios que tratam de temas contemporâneos, da manipulação de imagens pela política às discussões sobre gênero e raça. Em sua capa e abertura, a ZUM #18 publica o trabalho de Ventura Profana. Produzida originalmente para o Programa IMS Convida, de incentivo artístico durante a pandemia da covid-19, a obra reúne colagens com críticas sociais ao atual contexto político brasileiro.

Outro destaque da edição é o artigo de Giselle Beiguelman, que discute a popularização (e a ameaça) das deepfakes, imagens produzidas por inteligência artificial a partir de bancos de dados. Inicialmente utilizadas em vídeos pornográficos, elas se disseminaram pela internet, sendo “uma das armas mais temidas das eleições presidenciais norte-americanas deste ano, capaz de colocar na boca de Donald Trump discursos de um adversário, e vice-versa”, afirma Beiguelman. Borrando as fronteiras entre realidade e ficção, as deepfakes já estão inseridas em nossa rotina, trazendo dilemas éticos e políticos.

A discussão sobre as políticas da imagem também é abordada em ensaio dos pesquisadores israelenses Eyal Weizman e Ines Weizman. Eles analisam a história das chamadas “imagens de antes e depois” – par de fotos que precedem e sucedem determinado evento – desde suas origens no século 19 até seus usos atuais, com os registros de satélites. Os autores evidenciam como essas fotografias podem ser utilizadas tanto pelos Estados, como forma de controle, quanto por organizações internacionais para a fiscalização dos direitos humanos.

A revista publica também registros de performances da artista paraense Berna Reale acompanhados por artigo da pesquisadora Marisa Mokarzel. Ela analisa como as obras de Reale evidenciam as relações de violência e controle que regem a sociedade brasileira. Suas performances “instigam o espectador, tirando-o da letargia provocada pelo fluxo incessante de imagens de violência veiculadas na mídia e presentes na vida cotidiana”, afirma Mokarzel.

Esta edição traz ainda um ensaio da fotógrafa americana Deana Lawson, com texto assinado pela escritora inglesa Zadie Smith. No artigo, Smith reflete sobre os laços ancestrais que unem as mulheres e os homens negros retratados por Lawson, em lugares tão distintos quanto Porto Príncipe (Haiti), Adis Abeba (Etiópia) e Salvador (Brasil). Fugindo do naturalismo, as imagens remetem a uma “África de sonho”, lugar em que “a nostalgia, a fantasia e o sentimento da diáspora finalmente convergem e são satisfeitos – depois de muita andança e muita busca”.

A união entre o íntimo e o universal também está presente no ensaio fotográfico Ke Lefa Laka – A história dela, da artista sul-africana Lebohang Kganye. Na série, Kganye posa vestindo roupas de sua própria mãe, já falecida. A artista recria imagens encontradas em álbuns de família, numa homenagem à força da figura materna. As fotografias são acompanhadas por um texto da poeta Napo Masheane, que reforça a importância de representar a história das mulheres sul-africanas.
Outro destaque é a entrevista com a fotógrafa palestina Ahlam Shibli, realizada pela curadora Marta Gili. Na conversa, a artista discute sua produção, marcada por investigações sobre os conceitos de lar, resistência e trauma, numa constante reflexão sobre os limites e desafios da representação dos outros. “O registro fotográfico não deve objetificar e vitimizar ainda mais quem sofre a violência do Estado”, afirma a artista.

As contradições da identidade nacional são abordadas também pelo fotógrafo indiano Sohrab Hura, associado à agência Magnum. Em sua série A costa, ele registra o litoral do seu país. Entre o documental e o ficcional, as imagens evidenciam os sinais da intolerância racial, sexual e religiosa presente na Índia contemporânea.

A ZUM #18 publica ainda um trabalho inédito do artista pernambucano Paulo Bruscky, feito especialmente para as páginas da revista. Intitulada LogicAcaso, a obra é resultado de um processo de montagem, hibridismo e experimentação gráfica. Em artigo, o curador Moacir dos Anjos comenta o trabalho, uma reunião de “cacos e ecos de lugares e tempos dispersos, de modo a criar significados que, isolados, não seriam capazes de exprimir”. Além de produzir o ensaio visual LogicAcaso, Bruscky desenvolveu um encarte especial para a revista, que será distribuído apenas aos assinantes.

Outro grande nome da arte contemporânea brasileira, Hudinilson Jr., é tema do texto de Veronica Stigger. A escritora analisa as centenas de cadernos produzidos pelo artista ao longo de sua vida, pelo prisma do mito de Narciso. Registros íntimos, os cadernos reúnem recortes de jornais e revistas, bulas de remédios e notas pessoais, num mosaico que reflete as pulsões eróticas de seu criador.

Este número também traz um ensaio do crítico de arte João Bandeira sobre duas fotomontagens recém-descobertas de Décio Pignatari. Produzidas nos anos 1950, antes de Pignatari consagrar-se como poeta concreto, as obras tratam do tema do “pulso do desejo em movimento”, como afirma Bandeira.

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