Dois dos trabalhos foram abandonados durante a fuga; ação durou menos de cinco minutos e reacende o debate sobre a segurança dos museus franceses
O Museu Renoir, em Cagnes-sur-Mer, no sul da França, foi invadido na madrugada de terça-feira, 8 de setembro. Dois homens entraram no edifício pouco antes das 6h e levaram quatro obras de Pierre-Auguste Renoir. Duas delas foram recuperadas nos jardins da instituição, abandonadas pelos criminosos durante a fuga. A polícia francesa abriu uma investigação e realiza perícias no local, enquanto os autores do roubo continuam sendo procurados.
A ação aconteceu em poucos minutos. Segundo o prefeito de Cagnes-sur-Mer, Bryan Masson, os invasores chegaram preparados e utilizaram uma serra metálica para cortar os pistões que prendiam as molduras das obras. O alarme do museu e os sistemas policiais foram acionados ao mesmo tempo. A polícia municipal chegou em menos de cinco minutos, o que teria levado os ladrões a interromper a operação antes de retirar mais peças. Das 12 obras de Renoir atualmente expostas, quatro foram levadas.
Instalado em uma antiga villa nas colinas da cidade, o museu ocupa um lugar particular na história do artista. Renoir viveu ali os últimos anos de sua vida, e o espaço, criado em 1960, preserva não apenas pinturas, mas também objetos de uso pessoal, como seu cavalete e sua cadeira de rodas. O valor do prejuízo ainda não foi oficialmente estabelecido. Em um primeiro momento, Masson havia estimado a perda em € 9 milhões (aproximadamente 54 milhões de reaus), mas posteriormente evitou confirmar o montante.
O episódio acontece em um momento especialmente delicado para os museus franceses. Há menos de um ano, o Louvre sofreu um dos maiores roubos de sua história, com oito joias da Coroa francesa retiradas da Galeria de Apolo. O prejuízo foi calculado pelo museu em € 88 milhões. Desde então, a segurança das instituições culturais passou a ocupar posição central na agenda do Ministério da Cultura. Em julho, um plano com 33 medidas recomendou, entre outras ações, a retirada temporária de peças das vitrines quando as condições de proteção forem consideradas insuficientes.
Outros casos recentes reforçaram a preocupação. No fim de julho, um colar de ouro do Tesouro de Vix, peça celta enterrada há cerca de 2.500 anos, foi roubado durante o dia em um museu de Châtillon-sur-Seine, onde já haviam ocorrido duas tentativas de invasão. No início daquele mês, peças de joalheria também desapareceram do Museu Lalique, em Wingen-sur-Moder, com prejuízo superior a € 4,5 milhões. O roubo de pinturas, por sua vez, costuma ser menos frequente, já que obras retiradas de suas molduras ou cortadas perdem valor e se tornam mais difíceis de comercializar. Um dos casos mais célebres ocorreu em 1990, no Museu Isabella Stewart Gardner, em Boston, quando 13 obras, entre elas trabalhos de Rembrandt, Vermeer, Degas e Manet, foram levadas. Nenhuma foi recuperada.

