Pinturas póstumas? Veja plano de Damien Hirst para continuar produzindo mesmo após sua morte

Damien Hirst: To Live Forever (For a While), Museu Jumex, 2024. Foto: Prudence Cuming Associates Ltd. © Damien Hirst e Science Ltd. Todos os direitos reservados, DACS/Artimage 2024.

Em uma nova e excêntrica investida contra os limites do tempo, Damien Hirst anunciou seu plano de perpetuar sua produção artística por dois séculos após sua morte. Em entrevista ao London Times, o artista britânico — frequentemente listado entre os mais ricos do mundo — revelou o projeto das chamadas “pinturas póstumas” (ou, como ironiza seu empresário, “pinturas preposterous”). A proposta envolve a criação de 200 cadernos, um para cada ano após sua morte, cujos conteúdos servirão de base para obras futuras. Os direitos de produção dessas peças poderão ser adquiridos por colecionadores, e as criações serão oficialmente assinadas por seus descendentes, acompanhadas de certificados com valor de mercado próprio.

A cronologia dos cadernos ditará quando as obras poderão ser produzidas, mas com uma reviravolta: elas também poderão carregar datas retroativas. Hirst cita como exemplo uma escultura de um porquinho em formol, concebida em 1991 mas nunca realizada. Caso essa ideia conste no caderno 145, ela poderá ser concretizada 145 anos após sua morte e ainda assim datada de 1991. Essa abordagem remete a controvérsias recentes, quando o artista foi criticado por atribuir datas dos anos 1990 a obras produzidas bem depois. Sua empresa, Science Ltd., defendeu-se afirmando que essas peças são conceituais, e que a data corresponde ao momento de concepção da obra.

A obsessão de Hirst com a longevidade — artística e financeira — não é novidade. Em 2021, ele causou furor ao lançar The Currency, projeto que confrontava o valor de obras físicas e NFTs: os colecionadores tinham um ano para escolher entre o arquivo digital ou a pintura em papel; o que não fosse escolhido seria destruído. Em 2023, ele atualizou suas famosas Spin Paintings dos anos 1990 com algoritmos generativos, oferecendo versões físicas, digitais ou híbridas. O projeto arrecadou US$ 20,9 milhões. Para uns, trata-se de inquietação criativa genuína; para outros, de mais um capítulo em sua lucrativa trajetória, marcada por episódios controversos — como o leilão autogerido na Sotheby’s em 2008 ou o polêmico uso de recursos públicos durante a pandemia. Resta saber se, no futuro, o porquinho em formol encontrará seu lugar na história da arte — ou se evaporará como tantas promessas de imortalidade artística que o tempo encarrega de dissolver.

Compartilhar:
Notícias - 22/05/2026

Novo Parque Aramat transforma a Serra do Itaqueri em experiência de imersão e contemplação

Aramat inaugura em São Pedro, interior de São Paulo, reunindo land art, instalações ambientais, natureza e experiências sensoriais em grande …

Notícias - 22/05/2026

Arqueólogo é preso após suposto roubo de ossos atribuídos a d’Artagnan na França

Investigador é acusado de retirar úmero e dentes ligados ao célebre mosqueteiro francês; caso mistura patrimônio histórico, ciência forense e …

Notícias - 22/05/2026

Museu das Mulheres é vetado nos Estados Unidos

Disputas envolvendo pautas trans e pressões conservadoras travam projeto histórico ligado ao Smithsonian em Washington
A proposta de criação de um …

Notícias - 21/05/2026

Casa Brasil transforma a antiga Alfândega em experiência imersiva

No coração histórico do Rio de Janeiro, entre a Baía de Guanabara e as marcas arquitetônicas da Praça XV, a …

Notícias - 21/05/2026

A vela milionária de Gerhard Richter reacende o legado de Marian Goodman

Poucos meses após a morte da histórica galerista Marian Goodman, uma de suas obras mais emblemáticas voltou ao centro do …

Notícias - 21/05/2026

Obras desaparecidas e auditoria colocam o Reina Sofía no centro de nova crise institucional

Uma auditoria interna no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía reacendeu debates sobre gestão, preservação e controle de acervo …

Notícias - 21/05/2026

JR inaugura intervenção monumental em Paris inspirada na história do Pont Neuf

Pouco mais de quatro décadas depois de Christo e Jeanne-Claude transformarem o Pont Neuf em um dos gestos artísticos mais …

Notícias - 21/05/2026

Diretor de arte capixaba vence o Prêmio Oxford de Design 2025

Do traço íntimo ao reconhecimento nacional, Alexandre Volponi transforma memória afetiva em prêmio de design
Em um momento em que o …

Notícias - 21/05/2026

36ª Bienal de São Paulo chega a Fortaleza

Itinerância reúne artistas como Wolfgang Tillmans, Ming Smith e Gê Viana em mostra que debate deslocamento, memória e pertencimento
A Fundação …

Notícias - 20/05/2026

Morre Harald Metzkes, pintor que desafiou o realismo socialista na Alemanha Oriental

Conhecido como o “Cézannista de Prenzlauer Berg”, artista alemão construiu uma obra marcada por harlequins, teatro e cenas alegóricas ao …

Notícias - 20/05/2026

Justiça francesa libera vitrais contemporâneos em Notre-Dame e reacende debate sobre patrimônio histórico

Decisão abre caminho para instalação das obras de Claire Tabouret na catedral de Paris, enquanto críticas ao projeto continuam mobilizando …

Notícias - 20/05/2026

O roubo do século no Louvre vai virar filme pelas mãos de Romain Gavras

Diretor de Athena prepara adaptação cinematográfica do assalto milionário que abalou o museu francês e provocou uma crise institucional em …