Gravura Torero, uma das cerca de 30 cópias assinadas pelo artista, foi encontrada por um proprietário durante a limpeza de um apartamento desocupado
Uma gravura de Pablo Picasso dada como perdida desde 2018 reapareceu em Milwaukee, nos Estados Unidos, em uma circunstância pouco provável. O Torero, obra assinada pelo artista e avaliada entre US$ 35 mil (R$ 181.650,00) e US$ 50 mil (R$ 259.500,00) quando desapareceu, foi encontrado por um proprietário durante a limpeza de um apartamento de onde um inquilino havia sido despejado.
Tim Dertz contou à emissora WISN-TV que a obra estava pendurada em um lugar incomum e coberta por uma espessa camada de poeira. Ele mostrou a gravura a um amigo antiquário, que reconheceu a assinatura de Picasso e suspeitou que pudesse ser a peça procurada pela polícia desde o furto. Dertz entregou o trabalho às autoridades, que então procuraram Bill DeLind, antigo proprietário da galeria onde a obra havia sido roubada.
DeLind reconheceu imediatamente a gravura. Um adesivo de sua antiga empresa, a DeLind Fine Art Appraisals, permanecia no verso da moldura, exatamente como havia sido colocado em 2018. “Quando me ligaram, eu não conseguia acreditar”, afirmou. Ao rever a peça, a reação foi ainda mais direta: “Foi uma sensação avassaladora. Fiquei sem palavras”. O Torero está entre cerca de 30 exemplares conhecidos assinados por Picasso.
O furto ocorreu na galeria de DeLind em 2018. Na época, a obra havia sido avaliada entre US$ 35 mil (R$ 181.650,00) e US$ 50 mil (R$ 259.500,00). O galerista acredita que seu valor atual não tenha mudado muito, embora a história do desaparecimento e da recuperação possa aproximá-lo da faixa superior da estimativa. Por enquanto, a gravura permanece sob custódia da polícia de Milwaukee, enquanto o cliente que havia contratado a galeria para colocá-la à venda resolve a questão com a seguradora.
O caso continua sob investigação. Segundo a polícia de Milwaukee, o prazo de prescrição para crimes de furto e contra o patrimônio é geralmente de seis anos, mas as autoridades não deram detalhes sobre as próximas etapas. O FBI, por sua vez, não comentou a investigação.
A recuperação também encerra uma espera especialmente longa para a antiga sociedade de DeLind. O ex-sócio do galerista, que morreu em fevereiro, ficou profundamente abalado com o desaparecimento da obra e, a cada aniversário do furto, ligava para a polícia pedindo que o caso voltasse a ser divulgado. A intenção era simples, encontrar o Picasso. “Ele teria ficado radiante com isso”, disse DeLind. “Era especial para ele.”


