Uma das obras mais célebres da história da arte, Noite Estrelada (1889), de Vincent van Gogh, acaba de ganhar uma nova leitura científica. Físicos da Universidade Metropolitana de Osaka e do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia identificaram na pintura padrões surpreendentemente semelhantes aos produzidos por um fenômeno conhecido como instabilidade quântica de Kelvin-Helmholtz. O estudo, publicado na revista Nature Physics, descreve como esses vórtices exóticos, chamados de “skyrmions fracionários excêntricos”, assumem formas curvas e crescentes, evocando de maneira impressionante a lua amarela que ilumina o céu noturno da tela.
Segundo o pesquisador Hiromitsu Takeuchi, os padrões de instabilidade observados nos fluidos quânticos possuem estruturas que se rompem em pontos específicos, criando distorções visuais que lembram de perto as espirais e curvas vibrantes concebidas por Van Gogh. Essa coincidência reforça a ideia de que a pintura não apenas captura uma dimensão poética do firmamento, mas também ecoa princípios físicos ainda hoje em estudo, unindo ciência e arte em uma convergência inesperada.

Detalhe das pinceladas de Vincent van Gogh na obra “Noite Estrelada” (1889), domínio público, via Wikimedia Commons
Não é a primeira vez que Noite Estrelada atrai o olhar da ciência. Em pesquisas anteriores, especialistas já haviam notado que as pinceladas em redemoinho do artista correspondiam com precisão a padrões de turbulência atmosférica. Outros estudos chegaram a associar a obra a nuvens moleculares no espaço, responsáveis pela formação de estrelas. Criada em um ateliê sem janelas durante a internação do pintor no asilo de Saint-Paul-de-Mausole, a tela continua a revelar novas dimensões, como se a visão de Van Gogh tivesse antecipado fenômenos invisíveis a olho nu.


