Um retrato até então considerado uma das mais conhecidas imagens de Maria Antonieta na infância acaba de ter sua autoria e identidade corrigidas. Segundo a professora Catriona Seth, da Universidade de Oxford, a obra do pintor suíço Jean-Étienne Liotard não retrata a futura rainha da França, mas sim sua irmã mais velha, Maria Carolina, que viria a se tornar rainha de Nápoles. A descoberta, resultado de uma nova análise da coleção Liotard preservada no Musée d’Art et d’Histoire de Genebra, propõe também o inverso: outro desenho, antes identificado como Maria Carolina, seria na verdade a jovem Maria Antonieta.

O retrato, que era atribuído a Maria Antonieta, pode ser, na verdade, de sua irmã mais velha, Maria Carolina. Jean-Étienne Liotard, Domínio público, via Wikimedia Commons.
A confusão teria sido sustentada por detalhes simbólicos e leituras históricas que associavam o retrato à personalidade da futura monarca. No desenho antes atribuído a Maria Antonieta, uma menina de cerca de sete anos segura um instrumento de tecelagem e encara o espectador com firmeza — gesto que estudiosos interpretavam como prenúncio de seu destino excepcional. No entanto, Seth notou uma incongruência: a medalha que adorna o vestido da criança pertencia a uma ordem honorífica concedida às irmãs mais velhas, e Maria Antonieta, a mais nova, só a receberia anos depois. Essa discrepância levou a pesquisadora a reconsiderar a identidade das figuras retratadas.

O retrato, que era atribuído a Maria Carolina, pode ser, na verdade, da rainha Maria Antonieta. Jean-Étienne Liotard, Domínio público, via Wikimedia Commons.
A professora reforça sua hipótese com outro detalhe revelador: a menina do segundo retrato — agora reconhecida como Maria Antonieta — usa brincos específicos e segura uma rosa, símbolo recorrente em retratos posteriores da rainha. “Foi um erro transmitido por gerações, mas agora podemos ver Maria Antonieta como ela realmente era”, observou Marc-Olivier Wahler, diretor do museu suíço. A revelação corrige um equívoco de mais de dois séculos e lança nova luz sobre o modo como a iconografia moldou a imagem pública da monarca, nascida em 1755 e executada em 1793 durante a Revolução Francesa.


