Aos 78 anos, Marina Abramović prepara o que descreve como o maior projeto de sua carreira: Balkan Erotic Epic, um espetáculo de quatro horas que estreia no Aviva Studios, em Manchester, encomendado pela Factory International. A obra mobiliza mais de 70 artistas, dançarinos e performers em 13 cenas que recriam rituais ancestrais eslavos, muitos deles envolvendo erotismo e nudez. Segundo a artista, trata-se de uma investigação sobre fertilidade, morte, casamento e memória coletiva, ancorada em tradições populares de países como Albânia, Sérvia, Romênia, Bulgária e Grécia.
O espetáculo mistura performance, música, cinema e animação em escala monumental: 64 metros de comprimento por 21 de altura. Entre os quadros estão uma orgia coletiva, esqueletos dançantes, rituais homoeróticos e até um “jardim de cogumelos” com falos de cinco metros. “Nunca fiz nada tão complexo e ousado”, disse Abramović ao Guardian, admitindo que a dimensão do projeto a tira do sono. Apesar disso, ela promete participar das apresentações todas as noites — embora ainda não revele se seu corpo também fará parte da obra.
Abramović, que nasceu na antiga Iugoslávia, considera a criação profundamente pessoal: a narrativa começa com o funeral do líder comunista Josip Broz Tito e termina em festas de casamento, atravessando rituais de luto, fertilidade e resistência cultural. O público britânico pode esperar choque e controvérsia, mas também humor e emoção. “As pessoas terão muitas reações diferentes. Ficarão chocadas, entretidas, perturbadas e emocionadas”, afirma a artista, que já enfrentou críticas semelhantes em retrospectivas anteriores.



