Uma operação da polícia judiciária francesa voltada ao combate ao tráfico de drogas acabou revelando um desdobramento inesperado no mercado da arte. Durante uma série de mandados de busca cumpridos em 15 de junho na região de Val-de-Marne, nos arredores de Paris, investigadores encontraram uma pintura de Pablo Picasso avaliada entre 12 e 15 milhões de euros. A obra, pertencente a uma colecionadora de Singapura, havia sido furtada de uma empresa especializada na guarda de obras de arte na capital francesa.
O quadro foi localizado na residência da tia de um homem de 37 anos apontado pelas autoridades como um distribuidor de drogas em média escala. Segundo a investigação, ele trabalhava justamente na empresa responsável pela custódia da pintura, circunstância que levantou suspeitas sobre seu envolvimento no desaparecimento da obra. Preso preventivamente no âmbito da investigação sobre tráfico de entorpecentes, o suspeito também passou a responder por uma apuração distinta relacionada ao furto e à receptação da peça.
A ação policial tinha como objetivo principal desarticular uma rede de tráfico que atuava em diferentes municípios da região metropolitana de Paris. Ao todo, seis pessoas foram detidas e os agentes apreenderam cerca de 17 quilos de cannabis, 7 mil euros em dinheiro e aproximadamente 200 mil euros em roupas de grifes de luxo. Foi somente durante as buscas realizadas em imóveis ligados aos investigados que a pintura de Picasso veio à tona, surpreendendo os próprios policiais envolvidos na operação.
Durante o interrogatório, o principal suspeito admitiu ter retirado a obra da empresa onde trabalhava, mas afirmou que sua intenção era demonstrar falhas nos protocolos de segurança do local. De acordo com pessoas próximas ao investigado, a pintura teria sido armazenada de maneira inadequada e sua retirada teria ocorrido em meio a uma série de falhas operacionais. A defesa, por sua vez, contesta a caracterização do cliente como integrante ativo de uma organização de tráfico, destacando que ele mantinha vínculo empregatício contínuo desde sua última condenação por crimes relacionados a drogas, em 2015.
Enquanto o processo referente ao tráfico de entorpecentes teve parte de seus desdobramentos adiada para agosto, a investigação sobre o desaparecimento da obra de Picasso segue de forma independente. Paralelamente, a empresa responsável pela guarda do acervo iniciou uma auditoria interna para esclarecer como uma pintura de valor tão elevado conseguiu deixar suas instalações sem ser detectada, até reaparecer em uma operação policial que, inicialmente, não tinha qualquer relação com o mercado de arte.

