Uma tela por décadas tratada como mera “cópia de ateliê” volta ao centro das atenções com uma reviravolta digna do próprio mercado de arte. A pintura dialoga diretamente com Old Man with a Gold Chain, de 1631, hoje no Art Institute of Chicago, com a qual compartilha tema e composição.
As duas obras foram recentemente exibidas lado a lado em Chicago, reacendendo uma discussão que parecia consolidada. A versão em tela, pertencente ao colecionador Francis Newman, era até então considerada uma reprodução executada por alunos do ateliê de Rembrandt, prática comum no competitivo mercado artístico de Amsterdã no século XVII. No entanto, Schwartz propõe uma leitura distinta: em vez de delegar a tarefa a um discípulo, o próprio artista teria recriado sua composição, aproveitando a “memória fresca” do processo criativo.
O argumento ganha força na análise qualitativa da obra. Segundo o pesquisador, a pintura não apresenta sinais de correções, sugerindo uma execução segura e contínua. Curiosamente, a autoria já havia sido atribuída a Rembrandt no final do século XIX, antes de ser rebaixada em 1912 pelo influente historiador Wilhelm Bode, cuja avaliação, agora questionada, carecia de fundamentação mais robusta. Nem todos, porém, estão convencidos. O Art Institute de Chicago sustenta a classificação de “cópia”, apoiando-se em exames técnicos como infravermelho, raios X e análise de pigmentos. Ainda assim, a própria instituição admite que o debate permanece em aberto.


