Uma instalação inaugurada no dia 10 de maio no Museu Nacional de Arte Contemporânea de Portugal alude a Porto Alegre como lugar de enchentes. Trata-se da instalação O Submarino Feminista Aquafluxo, da artista visual gaúcha Ana Norogrando, com projeto curatorial de Gaudêncio Fidelis.
Em outubro de 2015, Norogrando participaria da 10º Bienal do Mercosul – Mensagens de Uma Nova América, em Porto Alegre, quando o Guaíba transbordou e alagou a casa e o atelier da artista, isolando-os, na Ilha Grande dos Marinheiros. Ela se viu obrigada a transportar suas obras de barco para acessar o local da bienal, que tinha Gaudêncio como curador-chefe.

Artista Ana Norogrando transporta obras em barco durante cheia do Guaíba em 2015
Esse incidente, considerado “emblemático” pelo curador, foi incluído na atual instalação de Norogrando como “dispositivo metafórico”, com a introdução de outros elementos relacionados, como um barco com a simulação volumétrica das obras de arte da artista e várias fotografias da ocasião registrada em 2015.
O curador diz que ao processar artisticamente o episódio Norogrando “antecipou o futuro”, o que é uma das mais importantes funções do artista na sociedade. “O clima é previsível pela ciência, há cerca de 15 anos cientistas apontam o RS como um vértice de mudanças para um clima extremado. A falta de investimento e planejamento, manutenção de sistemas de drenagem, estratégias de prevenção de enchentes e infraestrutura para tanto evidenciam que tragédias anunciadas como essa são uma realidade anunciada e não uma praga dos céus”, aponta Gaudêncio.

Réplica do barco usado pela artista para retirar do atelier as obras que iriam para a bienal em 2015 cercado por imagens de águas
Ana Norogrando vem abordando os diversos fenômenos da força das águas em sua produção artística desde 2009, com a obra Entre as Águas. Desenvolvido nos últimos dois anos, O Submarino Feminista Aquafluxo trata, entre outras questões, das trajetórias de migração e deslocamentos nacionais e transnacionais.
Com formato semelhante a um submersível, luz interna azulada e um periscópio em forma de serpente, a instalação multimodalidade foi concebida como uma construção metafórica que evoca o interior de um submarino. Com 19 m de comprimento por 2,20 m de largura, a obra inédita fica exposta no MNAC até 30 de junho.


