Novo projeto de Marina Abramovic é suspenso

Abramovic, à direita, e Willem Defoe em um dos filmes que acompanham as sete árias da ópera. Crédito: Marco Anelli

Por Matthew Anderson

Marina Abramovic fez alguns feitos loucos. Em uma carreira de décadas, a artista sérvia de 73 anos já andou mais de 1.600 quilômetros ao longo da Grande Muralha da China. Ela entrou dentro de um pentagrama encharcado de gasolina e incendiou-o. No Museu de Arte Moderna de Nova York, ela ficava perfeitamente quieta no átrio, seis dias por semana, durante meses.

O que ela não conseguiu, porém, foi encenar a estreia de uma nova ópera no meio de uma pandemia. Mas ela tentou.

No mês passado, Abramovic que está sediada em Munique, desenvolvendo “7 mortes de Maria Callas”, um trabalho de teatro musical sobre os mitos trágicos que cercam a soprano grega nascida nos Estados Unidos, na Ópera Estatal da Baviera. Combinando elementos de vídeo e arte performática, a peça reúne sete árias famosas associadas a Callas e novas músicas do compositor Marko Nikodijevic.

Se a peça é uma mistura dos maiores sucessos de Callas, também apresenta alguns dos de Abramovic. Cada uma das árias é acompanhada por um curta-metragem, no qual Abramovic interpreta junto com o ator de Hollywood, Willem Dafoe. Estes apresentam símbolos que se repetem no trabalho de Abramovic – facas, cobras, fogo, nuvens – e pelo clímax da ópera, as identidades das duas mulheres ficaram tão confusas que é difícil saber de qual diva realmente se trata.

Recentemente, no final de março, a pedido de Abramovic, a Ópera Estatal da Baviera ainda estava investigando se a estreia programada para 11 de abril poderia prosseguir, com transmissão ao vivo on-line, mas sem audiência no teatro. Em uma entrevista, Nikolaus Bachler, diretor artístico da empresa, disse que estava pensando em remover assentos do nível da orquestra, para que os músicos pudessem se divertir e se apresentar, mantendo o distanciamento social.

Mas, em comunicado divulgado em 1º de abril, a empresa disse que as alternativas que vinha explorando “não eram justificáveis” e adiou a primeira apresentação para uma data posterior não especificada.

“Eu esperava que os anjos nos ajudassem”, disse Abramovic em uma entrevista após o anúncio. “Cada dia mais e mais. Mas é impossível.”

A estreia teria sido o culminar de uma obsessão por Callas que começou quando Abramovic tinha 14 anos; ela se lembrou de ter ouvido a diva cantar no rádio na cozinha da avó, no que era então a Iugoslávia. “Fiquei hipnotizada e tinha uma eletricidade total no meu corpo”, disse ela.

Para “7 mortes de Maria Callas”, Abramovic selecionou as árias, começando com “Addio del passato” de “La Traviata” e alcançando um clímax com “Casta Diva” de “Norma”, para refletir esses estados emocionais, e ela trabalhou com o diretor de videoclipes Nabil Elderkin para desenvolver os curtas, que tocam no palco enquanto os cantores se apresentam ao vivo. Em novembro passado, ela voou para Los Angeles para gravar os filmes com Dafoe.

Em uma entrevista, Dafoe disse que conheceu Abramovic quando estava atuando no Wooster Group, a companhia experimental de teatro de Nova York. No início dos anos 2000, Abramovic estava morando em uma cooperativa no mesmo prédio da cidade que o teatro, e ela vinha assistir a seus shows. Os dois se tornaram amigos e mais tarde colaboraram em “A Vida e a Morte de Marina Abramovic”, um trabalho de palco do diretor de vanguarda Robert Wilson.

Em seis vídeos, Dafoe interpreta o amante ou assassino de Abramovic; em todos eles, Abramovic morre. Em um deles, Dafoe lida com uma cobra píton que estrangula Abramovic, até as cordas da “Ave Maria” que Desdêmona canta pouco antes de ser estrangulada pelo personagem-título em “Otello”, de Verdi.

“Eu a conheço há anos e gosto de fazer parte do trabalho dela”, disse Dafoe. “Se ela quer que eu a mate, isso é uma grande honra.”

O difícil período de ensaio exigiu uma abordagem regimentada, disse Abramovic. “Era muito importante agendar a vida cotidiana como uma disciplina militar: acordar de manhã, exercitar-se, tomar café da manhã e ir à ópera”, disse ela. “Todo dia era o mesmo.”

Ela disse que não tinha se preocupado em pegar o vírus: “Não pensei uma vez. Se você pensa em quantas coisas perigosas eu fiz na minha vida com a performance, eu já poderia ter sido morta tantas vezes.”

“Quando eu faço o trabalho que amo”, acrescentou, “nada pode acontecer comigo”.

Fonte/Tradução: The New York Times

Compartilhar:
Notícias - 11/01/2021

Artista mineira Marina Amaral entra para lista da Forbes

A colorista mineira Marina Amaral entrou para a lista da Forbes dos jovens mais influentes do ano.  A Under 30 …

Notícias - 11/01/2021

Iphan e Polícia Federal resgatam material arqueológico no Acre

Na manhã do dia 5 de janeiro, uma ação conjunta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no …

Notícias - 11/01/2021

Exposição do estilista Tomo Koizumi inicia o Departamento de Moda, Design e Arquitetura da Fundação Iberê

Em 2021, a Japan House São Paulo (JHSP) vai expandir sua presença pelo Brasil, por meio de um projeto de …

Notícias - 11/01/2021

Pinacoteca de São Paulo divulga programação de 2021

 

Em 2021, a Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, …

Notícias - 28/12/2020

Os universos díspares da Rússia contemporânea pelas lentes de Serguei Maksimishin em “O Último Império”

A exposição “O Último Império – Serguei Maksimishin”, que esteve no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, entre dezembro de …

Notícias - 20/12/2020

Consciência diante do perigo: as representações do medo ao longo da História da Arte

Quando Susan Sontag fala que fotografia é sobre dor, ela fala sobre Arte. Quando Susan afirma que “fotos são um …

Notícias - 19/12/2020

São Paulo ganha mural em homenagem às comunidades indígenas afetadas pela pandemia

As Nações Unidas e a ViaQuatro, concessionária responsável pela operação e manutenção da Linha 4-Amarela, em São Paulo, se unem …

Notícias - 18/12/2020

Farol Santander abre hoje mostra do artista chileno Iván Navarro

Abre hoje, 18 de dezembro, no Farol Santander São Paulo, a exposição ExFinito, primeira grande mostra individual no país do …

Notícias - 17/12/2020

Conheça os 91 projetos selecionados do Rumos Itaú Cultural 2019/2020

A Dasartes participou na última quarta-feira, 16 de dezembro, na coletiva de imprensa do Itaú Cultural, que anunciou os projetos selecionados …

Notícias - 17/12/2020

REGINA BONI ANUNCIA INAUGURAÇÃO DA GALERIA SÃO PAULO FLUTUANTE EM 2021

Para quem afrontou militares e a extrema direita em plena ditadura nos anos 60, não seria uma pandemia em escala …

Notícias - 17/12/2020

Itaú Cultural lança publicação com trabalhos de artes visuais selecionados em edital

No dia 15 de dezembro entrou no ar, no site do Itaú Cultural, www.itaucultural.org.br, uma publicação virtual que reúne as …

Notícias - 17/12/2020

CASA FIAT DE CULTURA DIVULGA SELECIONADOS PARA EXPOR NA PICCOLA GALLERIA

O 4º Programa de Seleção da Piccola Galleria da Casa Fiat de Cultura já tem os nomes dos artistas selecionados …