Clima de festa e valores acima do esperado marcam o início da SP-Arte; veja os destaques que movimentaram colecionadores e galerias
POR LIEGE JUNG
Editora Chefe
Chegou o esperado momento de mais uma SP-Arte. Quem acompanha minhas colaborações por aqui sabe que eu adoro bienais e feiras. Para mim, há muita magia nessas grandes reuniões de criatividade, tradição e ousadia, alimentadas pela energia dos visitantes apaixonados.
O primeiro passeio revelou uma seleção de obras sem grandes emoções, mas com novidades interessantes. No primeiro andar, as galerias do mercado secundário — que revendem obras que já pertenceram a outras pessoas — pareciam ter apostado em peças de menor porte de artistas consagrados, com ampla seleção abaixo de R$ 1 milhão. O interesse levantado pelo destaque de Ione Saldanha na última Bienal de Veneza incentivou uma boa oferta de obras da artista. A Pinakotheke trazia em seu preview uma de suas pequenas telas de qualidade extraordinária e foi a primeira coisa que fui procurar quando entrei, mas foi em vão: foi vendida já no preview e não chegou a ser exposta.
Não faltaram obras de impacto. A clássica escultura de fios de metal de Leon Ferrari era oferecida em três estandes, com preços entre R$ 1.200.000 e R$ 1.400.000, mas se destacou na Danielian, onde foi exposta ao lado de uma enorme tela de grafismos do artista, no melhor diálogo da feira. Na mesma galeria, uma das obras mais importantes da feira, um Vicente do Rego Monteiro histórico dos anos 1920 avaliado em 6 milhões de reais, que já tinha despertado o interesse de dois colecionadores. Ouvi muitas pessoas comentando sobre o estande da Gomide & Co, em especial sobre a tapeçaria de Maria Lira Marques, e devia estar lindo mesmo, porque todas as vezes que passei na frente estava muito cheio.
Chamou atenção também a Wanda Pimentel da Galeria Ipanema, uma tela toda preta cortada transversalmente pela imagem de um zíper, no traço fino típico da linguagem pop art da artista. O favorito das blogueiras, Abraham Palatnik, estava presente com um cinético original de 1966, além de alguns cartões e séries W, esta última se aproximando pela primeira vez da marca de R$ 1 milhão. Na Marco Zero, quis comprar uma obra do jovem Ramonn Vieitez que parecia um oratório, que mostrava a noite quando fechado e resplandecente amanhecer quando aberto, mas, quando voltei, já tinha sido vendida.

Vicente do Rego Monteiro (R$ 6 milhões)
Nos estandes de arte contemporânea do segundo andar, a Continua chamou atenção com a obra iluminada de Ana Maria Tavares, com fila para selfies, e uma divertida cadeira sorridente. Uma grande tela em tons de prata de Gonçalo Ivo foi destaque na Simões de Assis. A galeria francesa Emmanuelle G esgotou as obras em tear da dupla Parvaze e Mayer. Eu, que adoro o artista Nazareno, me encantei com a sua nova série Motim, que traz montagens com dados que se rebelam e chacoalham seus números, por valores entre R$ 35.000 e R$ 280.000.

Termino o relato com uma seleção aleatória de obras e valores da feira, torcendo por boas vendas, para que o sucesso do evento atinja também aqueles que o tornam possível: as galerias.
























