MUSEU TRANSGÊNERO DE HISTÓRIA E ARTE (MUTHA) INAUGURA SEU WEBSITE

O Museu Transgênero de História e Arte (MUTHA) inaugurou, dia 01 de Junho de 2021, seu primeiro Portal para a transformação: o website www.mutha.com.br. O MUTHA foi criado e é produzido pelo pesquisador, artista e autor trans Ian Habib, e é um espaço nacional e virtual pensado como uma obra artística e como uma série de tecnologias transformacionais de construção de arquivos para memória e empregabilidade cultural trans brasileira. De acordo com Habib: “Essa é a primeira organização trans de teias para memória no Brasil, o país que mais apaga essas existências e sua Histórias do mundo, uma iniciativa que visa lutar contra injustiças epistêmicas, financeiras e sociais”. O MUTHA foi aberto em 2020, a partir do Sarau MUTHA, apoiado pelo Memorial Minas Vale, já participou de uma atividade no SESC ETA SP e atualmente conta com o apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.

Como evento de abertura do website, o MUTHA propõe sua Primeira Exposição Artística, que ocorrerá na Galeria Virtual MUTHA, um local criado para exposição permanente de pessoas trans. A exposição terá dois temas: Transespécie, que elabora fissuras em conceitos de espécie e de gênero, propondo criação de novos seres e mundos; e Transjardinagem, que utiliza a imagem da produção de jardins sobre paisagens em ruína como método na exploração de arquivos vivos para memória de existências que sempre viveram segundo catástrofes pandêmicas.

Além da Galeria, que venderá obras de arte trans, nosso website é integrado pelo Arquivo MUTHA – composto do Arquivo Histórico MUTHA e do Arquivo Artístico de Dados MUTHA. O Arquivo Histórico MUTHA, que ainda está em construção, é integrado pelo Programa de Preservação e Difusão Histórica (PPDH), pelo Programa em Educação (PED) e pelo Arquivo Digital (AD). O PPDH tem como objetivo coletar arquivos, dados e doações, promovendo sua organização, manutenção, restauro e digitalização, e criando ferramentas de difusão dos mesmos. O PED tem como foco o desenvolvimento de programas educacionais em História e Arte, e foi criado para tornar as produções corpo e gênero diversas mais acessíveis para todas as pessoas que desejam aprender mais sobre elas. O PED oferece suporte para pessoas pesquisadoras, estudantes e para o público em geral. O AD é o acervo digital que engloba todo o material coletado pelo museu, como fotografias, panfletos, clippings, newsletters, correspondências, periódicos, impressos, história oral, transcrições de entrevistas, jornais, folhetos, objetos físicos, programas, anúncio, artigos, pôsters, discursos, dentre outros. Já o Arquivo Artístico de Dados MUTHA é uma ferramenta que visa fornecer o mais amplo mapeamento de pessoas artistas corpo e gênero variantes brasileiras e/ou produções artísticas corpo e gênero diversas executadas em território nacional, uma ferramenta de busca que visa aumentar a empregabilidade cultural para essa população. O Arquivo Artístico de Dados também é aberto a todas as pessoas indígenas do país. As inscrições para o envio de informações artísticas e obras que comporão esse banco ficarão abertas por tempo indeterminado. As doações de materiais para o nosso Arquivo Histórico também ficarão abertas por tempo indeterminado. O MUTHA convida você para nos ajudar a construir esse percurso. A colaboração de toda a comunidade é extremamente importante, já que uma iniciativa como essa – de (re)escrita de histórias de pessoas tão subalternizadas e marginalizadas, já muito apagadas e destruídas – somente conseguirá se manter a longo prazo, a partir da formação de redes de apoio e fomento institucional consistentes.

Na Primeira Exposição MUTHA serão visibilizados trabalhos artísticos de mais de 56 pessoas trans. São 25 pessoas corpo e gênero diversas da Bahia. Além delas, a exposição visibiliza outras 23 pessoas convidadas corpo e gênero diversas de todo o país. Em adição, o projeto curatorial contemplou 15 artistas em um processo de seleção, partindo de um incentivo às inscrições no nosso Arquivo Artístico de Dados. Finalizando, mais 6 artistas compõem uma seção denominada Conexões Globais, destinada a pessoas de outros países vivendo no Brasil e pessoas do Brasil vivendo em outros países.

Essa é a maior exposição de artes trans feita no Brasil até hoje: ela engloba todas as 5 regiões brasileiras e também conexões com mais 6 países em 4 continentes; abarca zonas litorâneas, urbanas e rurais; valoriza a produção de vivências negras, amazônidas, indígenas, imigrantes, emigrantes, com deficiência e em diversas faixas etárias e classes sociais; leva em consideração todos os aspectos de precarização que permeiam os modos de criação dessas existências; abrange todas as identidades de gênero não-cisgêneras; alcança todas as linguagens artísticas: artes cênicas, dança, audiovisual, artes visuais, beleza, moda, literatura, artesanato, body art, dentre outras.

A exposição visa objetiva fortalecer redes de empregabilidade cultural, visibilidade e mútua colaboração; alargar o mercado de trabalho para a população trans, com formação de ferramentas difusoras de criações, composição de publicações, venda de obras artísticas e organização de redes para produção e resgate histórico; formar arquivos trans para memória, que ainda não existem no Brasil. A colaboração de toda a comunidade é extremamente importante, já que uma iniciativa como essa – de formação de arquivo e de empregabilidade – somente conseguirá se manter a longo prazo, a partir da formação de redes de apoio e fomento institucional consistentes e constantes.

SOBRE O MUTHA

O Museu Transgênero de História e Arte é um museu transformacional, ou seja, continuamente em transformação, que objetiva criar incentivos, ferramentas e alternativas à produção de dados sobre violências cotidianas à vivências transgêneras no Brasil, pretendendo sugerir caminhos artísticos, educativos, políticos e sociais alternativos; resgatar memórias e investir em (re)escritas históricas de processos que foram apagados desde o período colonial, suprimidos pela ditadura brasileira em outras configurações e perduram como tentativas de extermínio até os tempos atuais; investir na criação de um arquivo brasileiro sobre História e Arte transgênera; valorizar memórias e produções artísticas dessas existências, que não são ainda reconhecidas e visibilizados em espaços de produção cultural; discutir epistemologias corpo e gênero diversas nas artes; fomentar novos modos de vida em paisagens em ruína; celebrar a imaginação; destruir, por vezes, o
que for preciso; produzir eventos e suportes para debates sobre diversidade de gênero e suas interseccionalidades, como processos étnico-raciais, deficiência, classe, sexualidade, e outros; criar paisagens radicais para outros futuros.

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