O Imperial War Museum (IWM), em Londres, recusou-se a alterar um painel informativo de sua Galeria do Holocausto após críticas de uma visitante e de dois renomados historiadores, que afirmam que a redação contém uma imprecisão histórica. O texto explica as Leis de Nuremberg, impostas pelo regime nazista em 1935, afirmando que uma pessoa era definida como judia “com base em quantos avós judeus observantes possuía”. Especialistas argumentam que a inclusão do termo “observantes” é incorreta e transmite a falsa impressão de que práticas religiosas influenciavam na perseguição, quando, na verdade, a classificação nazista se baseava exclusivamente no registro de nascimento junto à comunidade judaica.
A crítica inicial partiu de uma acadêmica aposentada de Nova York, que visitou a exposição no ano passado e, apesar de elogiar o restante do conteúdo, considerou “reprovável” a manutenção de uma formulação que ignora que o objetivo nazista era erradicar todos os judeus, independentemente de sua religiosidade. Ela encaminhou a observação a dois estudiosos do Holocausto: Christopher Browning, que ressaltou que nem conversões ao cristianismo alteravam a classificação nazista, e Timothy Snyder, que alertou que a frase poderia induzir à equivocada distinção entre judeus “religiosos” e “seculares” na lógica da perseguição.
A direção do IWM, por sua vez, defendeu a escolha curatorial, afirmando que a legenda foi revisada por especialistas internacionais e por membros da comunidade judaica antes de ser publicada. Caro Howell, diretora-geral da instituição, afirmou que ceder a cada questionamento de “nuance interpretativa” poderia comprometer a integridade do museu, e que o restante da exposição deixa claro que a perseguição abrangia todos os judeus. Em comunicado, o museu reconheceu a sensibilidade do tema e reiterou que comentários sobre sua interpretação são levados a sério, mas que, no caso, optou por manter o texto original.


